Seu filho vem reclamando de uma sensação de boca seca constantemente? Ele anda com dificuldade para engolir certos alimentos? Tem percebido que os lábios do pequeno estão rachados? Se você respondeu sim para todas essas perguntas, fique atento: ele pode estar com xerostomia. Já ouviu falar desse problema? É a redução na produção de saliva que pode estar relacionada a vários fatores. Para esclarecer o assunto e manter a saúde bucal da criança em dia com algumas dicas, convidamos a odontopediatra Daphene Ozelame.

Os causadores da xerostomia

Essa síndrome da boca seca pode acometer crianças por vários motivos, como desidratação, hábito de respirar pela boca, má higiene bucal ou até mesmo o ronco. “Em casos quando ocorre queda drástica da salivação, a xerostomia pode ser sinal de doenças nas glândulas salivares, de diabetes mellitus e da síndrome de Sjögren (distúrbio do sistema imunológico caracterizado por olhos secos e boca seca), por exemplo”, conta a profissional. Existe também a possibilidade de ser a falta de vitaminas A e do complexo B. Além disso, o problema pode ser um efeito colateral de certos medicamentos, como antialérgicos, diuréticos e anti-hipertensivos, da radioterapia na região da cabeça e do pescoço, ou até mesmo por estresse.

Como perceber os sintomas da boca seca

De acordo com Daphene, pacientes de todas as idades correm o risco de ter xerostomia, até mesmo na infância. Por isso, a saúde bucal da criança deve ser sempre acompanhada por seus responsáveis. “Caso os pais percebam que o filho fica com a boca seca constantemente, tenha dificuldade na fala, na deglutição e degustação dos alimentos, lábios sempre rachados e com aspecto mais secos e mau hálito, podem ser sinais de xerostomia”, atenta a especialista.

Existem também outros sinais que podem ser avaliados pelo cirurgião-dentista para auxiliar no momento do diagnóstico. “Uma saliva mais viscosa, aumento de infecções bucais e da faringe, crescimento da placa bacteriana, surgimento de úlceras na boca e alteração do paladar”. Os sintomas podem envolver doenças bucais, como o aparecimento ou evolução de cárie, desenvolvimento de doença gengival e/ou periodontal, além do aumento do risco das infecções bucais, causadas principalmente por Candida Albicans. Como já vimos no Sorrisologia, a saliva também protege a boca de bactérias e sem esse fluido o sorriso do paciente fica debilitado.

Existe tratamento para a xerostomia

O tratamento para a xerostomia vai depender do que causou o problema. Se o problema for associado a medicamentos, o ideal é tentar substituí-los. A comunicação com um médico é essencial nessa tarefa. Agora, se o motivo for a radioterapia, ou doenças sistêmicas, o profissional pode indicar o uso da saliva artificial, que ajuda a lubrificar a cavidade. Há ainda no mercado outros medicamentos que aumentam a salivação, que caso haja necessidade, o profissional vai indicar. “Uma dica para estimular a produção de saliva é se hidratar, beber bastante água e mascar chicletes sem açúcar”, garante.

Prevenir é sempre a melhor escolha

Evitar qualquer tipo de doença bucal é a melhor maneira de manter o sorriso saudável. No caso da xerostomia e de qualquer problema na região, o método preventivo mais indicado será sempre uma boa higiene oral. Assim você consegue controlar o nível de placa bacteriana. Além disso, é sempre bom unir a limpeza com uma dieta equilibrada. A odontopediatra indica outro hábito muito importante. “Consultar um dentista regularmente é uma ótima maneira de prevenir e tratar, não somente a xerostomia, mas também outras doenças bucais”, finaliza.