Dentes de leite: você sabe tudo sobre eles? Não há nada como aquele sorrisinho de bebê ou criança gostoso de se ver! Mas por serem muito novinhos e não entenderem tão bem a importância de algumas coisas, os cuidados com a saúde bucal são responsabilidade dos pais ou responsáveis adultos. Aqui, você encontrará tudo que precisa saber sobre os primeiros dentinhos que vão preencher a boca do seu bebê. Vamos lá!

1. Os dentes de leite

Por mais fofo que seja ver aquele sorriso banguelinha dos pequenos no início, é bom se preparar, porque logo vem a fase em que os dentes de leite vão chegar para preencher a boca dos bebês. Conhecidos também como dentes decíduos ou primários, eles desempenham função primordial para a mastigação da criança e servem como guia para quando os dentes permanentes começam a surgir.

1.1 O nascimento dos primeiros dentinhos e como aliviar possíveis incômodos no seu bebê

Esse provavelmente é um dos momentos mais aguardados pelos pais: ver os primeiros dentinhos aparecendo na boca de seu filho. Esse acontecimento, segundo especialistas, se inicia por volta dos 6 meses de idade, mas não acontece de uma vez só. Isto é, não nascem todos os dentes juntos, sendo um processo que pode durar alguns anos. Dessa forma, os primeiros que surgem são os dois da frente da arcada superior. 

Como esse não é um processo muito fácil, principalmente para um ser humano tão frágil, é comum que isso traga certo incômodo e dor para o bebê. Para amenizar esse tipo de situação, uma boa estratégia indicada pela odontopediatra Simone Bastos é fazer massagens: com o dedo limpo e envolto em gaze ou fralda umedecida com soro fisiológico, realizam-se movimentos circulares pressionando levemente a gengiva do bebê. Além disso, a especialista acrescenta: "Indicamos o uso de mordedores resfriados, a oferta de alimentos e bebidas frios ou gelados, pois o frio promove melhor a sensação de alívio por ajudar a diminuir os sintomas locais da inflamação". 

1.2 A troca de dentes: quando começa e quanto tempo dura

Após passar por todo o processo de nascimento dos dentes decíduos, é preciso se preparar também para o momento em que eles, enfim, vão embora. É comum que a fase da troca de dentes comece a partir dos 6 anos e se estenda até os 12 anos de idade; e o primeiro sinal de que ela está chegando é quando os dentes começam a ficar com um aspecto molinho. Por mais que muitos pais fiquem bastante ansiosos com essa fase, é preciso ter em mente que esse é um processo totalmente natural e que não costuma precisar de intervenções. De acordo com a dentista Leticia Vieira, não há necessidade de levar a criança ao dentista nem recorrer a métodos caseiros - exceto se o dente estiver prejudicando a fala ou mastigação da criança, pois neste caso vale uma visita ao odontopediatra, que vai indicar a melhor solução.

1.3 A diferença entre os dentes de leite e os permanentes

Para começar, os dentes de leite são assim chamados porque apresentam uma coloração mais esbranquiçada que os dentes permanentes, se assemelhando à cor do leite. Mas esta não é o único fator que os diferencia: em termos de quantidade, a primeira dentição possui um total de 20 dentes, enquanto a permanente pode chegar a 32. Isso acontece porque uma boca infantil não possui espaço suficiente para abrigar tantos dentes, portanto o grupo de dentes pré-molares, incluindo os sisos, ficam de fora nesta primeira fase. Eles vão surgindo durante a fase de troca, já conquistando seu espaço permanente na arcada dentária. Outro fator que também merece ser destacado é quanto à estrutura de cada dente, já que apesar de serem menores, os dentes de leite possuem a raiz mais longa e fina, conforme a cirurgiã-dentista Amanda Martins comenta:  “O tamanho também é muito diferente - dentes de leite costumam ser muito menores; e por isso as cáries têm mais facilidade de alcançar a polpa”. 

2. Problemas que podem afetar os dentes dos pequenos

Agora que você já sabe (quase) tudo sobre os dentes de leite, chegou a hora de falar sobre um assunto não muito agradável, mas extremamente pertinente: os problemas bucais. Por mais que a dentição ainda não seja a permanente, os primeiros dentinhos não estão isentos de passar por complicações, se a higiene bucal não for realizada da forma correta. Que tal conferir que problemas são esses?

2.1 Cáries

Este com certeza é um dos problemas bucais mais temidos, tanto para adultos quanto para crianças. No entanto, é importante ressaltar que esse transtorno é mais propício de aparecer em crianças, principalmente pelo fato de elas ainda estarem se habituando à rotina de higiene bucal e por muitos pais não se preocuparem devidamente com a primeira dentição, já que elas têm um “prazo de validade”. Quanto aos sinais que podem ser observados em casos de cáries, a especialista Simone Bastos alerta: "Um dente com uma cárie profunda pode levar a criança a sentir dor, mastigar de forma inadequada e se alimentar mal". Portanto, o ideal é focar na prevenção, incentivando a escovação dos dentes nessa fase de maneira adequada.

2.2 Fluorose dentária

É claro que o hábito da higiene bucal deve ser estimulado, mas essa prática em excesso também pode trazer consequências para a saúde bucal devido a grande quantidade de flúor presente nas pastas dentais. A fluorose dentária pode ser observada a partir de pequenas manchas que se formam nos dentes, podendo variar de cor: manchas brancas costumam se manifestar na fase inicial; enquanto manchas mais escuras com uma coloração amarronzada, indicam uma situação mais grave da fluorose. Em todo caso, Simone sugere uma orientação profissional: “Assim que os pais perceberem, devem procurar um especialista para avaliar o grau de severidade da fluorose e poder indicar a melhor terapia”.

2.3 Erosão dentária

Esse transtorno tem chamado bastante a atenção dos especialistas, já que o número de casos de crianças com erosão dentária vem crescendo cada vez mais nos últimos anos. Causado principalmente pela ingestão de substâncias ácidas e pelo suco gástrico presente na cavidade bucal do paciente, esse problema pode afetar qualquer idade, mas está diretamente relacionado ao padrão alimentar construído por cada pessoa. Para as crianças, a dentista Andréia Dahdal observa que a substituição de água por bebidas como refrigerantes, sucos cítricos, leite fermentado ou outras bebidas industrializadas é um dos fatores que mais pode influenciar no quadro do paciente. Além disso, ela também ressalta que crianças que apresentam quadros de ansiedade com episódios de vômitos e refluxos podem ser determinante para o aparecimento dessa patologia.

2.4 Sensibilidade

Por último, mas não menos importante, a sensibilidade nos dentes é um problema que deve ser observado pelos pais ou responsáveis com muita cautela. Isso porque essa dor causada pelo desgaste da estrutura dentária pode estar intrinsecamente ligado à outras complicações, como as cáries ou a erosão dos dentes. A odontopediatra Sofia Cabaleiro alerta para alguns sinais: “Quando algo incomoda, a criança evita mastigar do lado afetado, reclama ao escovar ou ao comer, evita alimentos gelados”. Portanto, a qualquer sinal de sensibilidade nos dentes, recomenda-se uma visitinha ao dentista para averiguar a situação.

3. Como cuidar dos dentes decíduos

Apesar de os primeiros dentinhos serem temporários, é evidente que precisamos que cuidar muito bem deles - até mesmo porque são eles são essenciais para o nascimento dos permanentes -, mas como? Além dos cuidados gerais, é sempre bom entender que tipos de tratamentos podem ser realizados durante essa fase da vida da criança. Vale lembrar que o acompanhamento profissional não é apenas bem-vindo, mas tremendamente necessário para indicar as medidas que devem ser tomadas, com base na análise do quadro clínico do paciente. Saiba mais sobre alguns dos tratamentos que podem ser indicados por um especialista durante essa fase.

3.1 Tratamento ortodôntico

Os dentes de leite nem sempre nascem da maneira exatamente correta, e isso pode influenciar significativamente no nascimento da dentição permanente da criança no futuro. De acordo com o especialista Robson Caumo, o uso de aparelhos ortodônticos na infância não é tão comum, uma vez que o uso de braquetes é recomendado para dentes permanentes, e isso vai depender muito da rapidez com que a troca dentária do paciente acontece. No entanto, tendo em vista que os dentes permanentes podem adotar diferentes posições na hora de seu nascimento, o ideal é realizar visitas frequentes ao dentista para definir que estratégias podem ser utilizadas para deixar o sorriso do paciente bem bonito. Logo, o tratamento ortodôntico pode sim ser recomendado enquanto ainda há a presença de dentes de leite na cavidade oral da criança, mas pode ser que isso implique na extração de alguns dentes de leite para que o processo seja concluído - não é regra, mas pode acontecer. Sobre isso, a ortodontista Luciana Haller afirma: “Alguns tratamentos quando feitos durante a fase de crescimento são muito mais eficientes. Existem excessões, mas quando tratamos certas anomalias na infância o tempo de tratamento diminui ou não se torna mais necessário na fase adulta”.

3.2 Tratamento de canal

Outro procedimento que pode ser indicado durante é o tratamento de canal. Diferentemente do tratamento ortodôntico, esse processo não se limita necessariamente aos dentes permanentes e não implica em uma possível extração do dente de leite. A técnica costuma ser recomendada principalmente quando há um quadro de uma cárie profunda ou em traumatismos dentários. Em casos decorrentes da cárie, muitas pessoas podem achar que uma simples extração poderia resolver o problema, mas isso vai depender muito da idade da criança. "A questão é que quando o dente de leite é extraído desta forma, antes de cair naturalmente, ele deixa um espaço que é ocupado por outros dentes de leite que se movimentam e acabam interrompendo o crescimento dos permanentes", explica Simone Bastos.

3.3 Higiene bucal sempre em dia

Todos já estão cansados de saber sobre a importância de se manter um hábito de higiene bucal, mas não custa nada reforçar - principalmente se esse hábitos podem influenciar a saúde do seu filho. Sobre a escovação indicada quando os primeiros dentes nascem, é importante ficar atento à escolha da escova e do creme dental. “O ideal é que seja realizada com a escova de cerdas macias e cabeça pequena, usando uma quantidade mínima (um grãozinho de arroz) de pasta de dentes fluoretada contendo flúor acima de 1000 ppm”, explica a odontopediatra Simone. A especialista também destaca um outro ponto importante sobre o uso de pastas fluoretadas, já que, segundo ela, quantidades menores de flúor do que a indicada não são o suficiente para combater problemas bucais.