Com o avanço da tecnologia, tratar uma ou mais cáries se tornou uma prática menos incômoda e apavorante. Isso por conta dos benefícios do laser Er:Yag, tecnologia de origem Israelense que acabou de chegar ao Brasil. Se antes o canal era o arqui-inimigo imbatível da cárie, agora, ele pode vir a se tornar obsoleto. No entanto, o laser Er:Yag não se restringe apenas a esse probleminha causado pela má higiene bucal: na verdade, ele promete auxiliar em procedimentos cirúrgicos, evitando os pontos, e em cirurgias estéticas gengivais sem sangramento. Quem explica mais sobre esses benefícios é a especialista em fluorescência a laser, Fátima Zanin. Confira!

Como funciona o Laser Er:Yag

O laser de Er:YAG é um procedimento inovador para o tratamento da cárie. Ele possibilita um atendimento com menos dor, sem vibração e em 90% dos casos sem anestesia. Fátima explica que para a remoção da cárie, o laser emite uma luz específica que age nos tecidos duros dentais e também em diversos tecidos biológicos como osso, tecidos moles, resinas e produtos orgânicos da cárie. No entanto, ela esclarece: “Para que ocorra uma eficiente ação entre o laser e o tecido dental é necessário que haja uma interação entre a luz que ele emite e o pico de absorção deste tecido”.

Assim, a propriedade de absorção de cada tecido é aproveitada para desencadear a fotoablação (mecanismo seletivo que remove a cárie, o esmalte e a dentina, de acordo com o teor de água de cada tecido). Este princípio, segundo Fátima, torna possível condicionar ou cortar o tecido dental, ajustando a quantidade de energia e frequência para produzir o efeito desejado.

É um tratamento sem dor? Como?

Fátima explica que a alta interação do laser de Er:YAG, Lite Touch TM , em rápidas pulsações (µseg) faz com que sua energia seja absorvida pela água, e a hidroxiapatita (mineral formado por fosfato de cálcio cristalino) do tecido dental em pulsos e velocidade mais rápidos que a velocidade do impulso doloroso ao cérebro.

Ela esclarece também, que de acordo com a quantidade de água nos tecidos dentais, é necessário usar uma energia maior ou menor para a sua remoção. Ao se detectar uma lesão de cárie oculta, pode-se primeiro usar o laser para o corte do esmalte até chegar à cárie. A diminuição da energia do laser, a fim de eliminar a dentina amolecida e contaminada, além dos produtos orgânicos e bacterianos que compõe a cárie, faz o controle da dor. Ou seja, quanto menor a energia, menor os estímulos dolorosos. “Deste modo podemos remover também cáries secundárias, que se infiltram ao redor das restaurações, preservando sua parte sadia”, explica.

Além dessa, quais outras vantagens existem nesse tratamento?

Outra vantagem em relação às técnicas convencionais, é o aumento da adesividade entre o material restaurador e o dente, melhorando a força de união, permanência e durabilidade dos trabalhos restauradores como resinas e facetas de porcelana. No tratamento de lesões iniciais, é possível fazer o aumento da resistência do esmalte de forma que a abordagem seja menos invasiva, com objetivo de preservar e também prevenir novas lesões. Fátima explica que este laser tem ainda a habilidade de destruir micro organismos nas cavidades profundas ou da superfície dentinária e pulpar, conduto radicular e bolsas periodontais num processo de descontaminação com redução bacteriana da dentina irradiada.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Fátima Zanin - Mestre em Diagnóstico com Fluorescência a Laser e doutorado em Clínicas Odontológicas na área de Cariologia
São Paulo - SP
CRO: 196.333