Se você acha que a toxina botulínica serve apenas para suavizar as linhas de expressão no rosto, está enganado. A substância preferida dos consultórios estéticos é complexa e tem garantido a qualidade de vida de muitos pacientes em diversos tratamentos de saúde. Na Odontologia, o seu uso também foi regulamentado pelo Conselho Federal de Odontologia em 2011. O especialista em Dentística Vinícius Barçal explicou o que é e como funciona o uso dessa técnica.

O que é a toxina botulínica?

A toxina botulínica é uma neurotoxina extremamente ativa, produzida por uma bactéria anaeróbica denominada Clostridium Botulinum. "Essa toxina é um medicamento fascinante que atua especificamente inibindo a atuação de um neurotransmissor chamado acetilcolina", explica. Dessa forma, o músculo não consegue receber a mensagem do cérebro para se contrair. Incrível, né?

Ação quando aplicada

"Depois de injetado, o medicamento difunde-se pelos tecidos onde foi aplicado, até se ligar de modo seletivo e irreversível às terminações nervosas pré-simpáticas das junções neuromusculares e neuroglandulares". Isto é, a ação é para dificultar a transmissão do estímulo e levar o músculo ao relaxamento. O processo começa a partir de 48 horas e sua ação máxima é atingida após duas semanas. Porém, novas regiões de transmissão de impulsos nervosos entre as células são criadas pelo organismo depois de três a seis meses da aplicação.

Indicações além da estética

A maioria das pessoas conhecem o uso da toxina botulínica apenas para fins estéticos, né? Mas essa substância é amplamente utilizada para diversos tratamentos de saúde. Como para blefaroespasmo (contração involuntária das pálpebras), estrabismo, hiperidrose (transpiração elevada nas mãos e axilas), dentre outros problemas. "Já na odontologia, podemos tratar desde distúrbios do nervo facial, espasmos hemifaciais e distonia", explica o especialista.

Qualquer pessoa pode usá-la?

O profissional deve sempre avaliar se o paciente está apto ou não para receber a aplicação da toxina botulínica. Algumas das contraindicações relatadas pelo Vinícius são: uso recente de vacina antitetânica, transtornos neuromusculares generalizados, gravidez e lactação, uso de alguns antibióticos, pacientes com alergia à toxina butolínica e alérgicos a lactose. "O profissional que fará a aplicação deve realizar previamente uma anamnese detalhada do paciente", finaliza Vinícius.