Todos sabem que existem vários tipos de borrachinha do aparelho, próteses dentárias, clareamento dental e muitas outros fatores da odontologia. Mas é difícil de imaginar que existam salivas diferentes. Isso mesmo! Segundo a cirurgiã-dentista Rhianna Barreto, o líquido bucal também pode estar presente nas glândulas parótidas, próximas ao ouvido, e nas glândulas submandibulares, ainda mais embaixo da língua. É por isso que se pode dizer que temos duas salivas. A especialista nos ajudou a entender melhor como elas funcionam.

A saliva protege a mucosa bucal

Muitas pessoas nem imaginam como a saliva é importante para a saúde bucal. “Tem como funções a proteção da mucosa bucal e dos dentes, defesa através da lisozima, formação do bolo alimentar e regulação do pH do meio bucal, evitando as lesões produzidas pelo excesso de ácidos e bases”, cita. Entre outras missões, ela também é responsável por fazer a digestão de alguns alimentos e uma autolimpeza na boca. Aliás, você sabia que o certo é esperar 30 minutos, depois de comer, para escovar os dentes? Isso deve ser feito para deixar que a saliva faça primeiro seu trabalho.

Esses líquidos bucais também são importantes na hora de analisar a possível presença de doenças. O diagnóstico de alguns casos é feito a partir deles. É o caso da síndrome de Sjogren, cirrose alcoólica, fibrose cística, diabetes, HIV e outras. “Essas doenças no geral afetam o fluxo salivar e o funcionamento das glândulas salivares”, explica a profissional.

Existem “dois tipos” de saliva

Na verdade, há somente um única saliva, sendo a única diferença sua composição em dois casos. “A saliva pode ser considerada como glândula-específica, coletada diretamente de uma glândula, ou saliva total, representando uma mistura das secreções das glândulas salivares”, define ela. Esse último tipo possui uma composição semelhante ao primeiro. Elas se distinguem porque o líquido, considerado total, entra em contato com as substâncias da boca, alterando um pouco sua propriedade.

A única diferença entre elas está na análise da saúde do paciente. “A coleta de secreção de uma glândula isoladamente pode ser útil na avaliação da função dessa glândula em particular, portanto, para diagnóstico de alterações glândula-específica. A saliva total é avaliada com o intuito de elucidar alterações sistêmicas”, explica.

Higiene bucal é o principal cuidado com a saliva

A higiene bucal deve ser feita da mesma forma. Afinal, não há como o paciente alcançar as glândulas salivares. O paciente ainda deve prestar atenção nos casos em que a quantidade do líquido na boca é reduzida. “O que pode ocorrer em alguns indivíduos com doenças sistêmicas ou pacientes geriátricos é a diminuição das glândulas salivares, com alterações na quantidade e qualidade da saliva”, explica ela. Isso acaba gerando uma sensação de boca seca (xerostomia) que compreende outras complicações. O indicado é que o paciente procure, assim que possível, o acompanhamento odontológico.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Rhianna Barreto - Cirurgiã-Dentista
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ:37448