Ainda é difícil apontar uma causa para o câncer de boca. Estudos comprovam que pacientes que fumam, bebem em excesso e possuem o vírus HPV têm mais probabilidade a desenvolver a doença. Mas a verdade é que ela pode acometer qualquer paciente e demorar para dar seus primeiros sinais. Por isso, uma das melhores prevenções é estar informado e sempre de olho no estado de sua saúde bucal, procurando qualquer sintoma da doença. Pensando nisso, conversamos com a Dulce Helena Cabelho, especialista em patologia bucal, para saber quais são os sintomas iniciais do câncer de boca. Começar o tratamento desde cedo, ainda em seus primeiros estágios, pode ser a garantia de sucesso na cura.

Quais são os primeiros sintomas do câncer bucal?

Segundo a especialista, em fases iniciais, o câncer não apresenta muitos sintomas. Mas, aos poucos, podem surgir lesões em qualquer parte da boca, principalmente em forma de úlceras. “São indolores em fases iniciais e não mostram sinais de cicatrização, podendo estar associadas à placas brancas e erosões decorrentes de traumatismos”, comenta a profissional. Em outras palavras, os primeiros sintomas aparentes são feridas que não se cicatrizam, parecidas com uma bolinha, nódulos e manchas brancas ou vermelhas no interior da boca, muitas delas podem ser confundidas com aftas no início.

O tratamento para o câncer de boca pode envolver cirurgia e algumas terapias

O tratamento pode variar entre cirurgias e radioterapias e, em alguns casos, pode ser necessária também a quimioterapia. Normalmente, os especialistas procuram analisar o estado da doença para assim usar uma das formas de intervenção ou combiná-las. “As indicações destes tratamentos estão diretamente relacionadas aos tipos histológicos, graus de infiltração, envolvimento ganglionar e metástases e são definidos pelo médico oncologista, caso a caso”, explica. Um outro fator que pode variar a forma de tratamento é o local acometido pela doença. Se for na língua, por exemplo, é possível realizar a cirurgia chamada glossectomia, para retirar parte do órgão. Já a maxilectomia, é a cirurgia no maxilar. Tudo depende do caso e precisa de um rigoroso acompanhamento médico.

Tratamento tardio pode trazer problemas ao falar, mastigar e comer

Percebido qualquer um desses sintomas, o paciente deve imediatamente procurar a ajuda de um especialista. O diagnóstico tardio dá a possibilidade de a doença se desenvolver e compromete ainda mais a saúde do paciente. “Em fases avançadas, há o comprometimento das cadeias ganglionares de cabeça e pescoço, desenvolvendo metástases e enrijecimento de estruturas próximas às lesões dificultando a fala, mastigação e deglutição”, alerta ela.

A melhor prevenção é ir ao dentista!

O autoexame é essencial no diagnóstico de qualquer doença bucal. Se você ainda não tem o costume, procure sempre dar uma olhada no estado dos seus dentes, das gengivas, das partes laterais das bochechas, da mucosas e da língua. Mas ainda que esse método seja importantíssimo, pode acontecer de o paciente deixar passar algum detalhe sério. Por isso que é tão importante consultar o dentista seguindo as recomendações de retorno, de 6 em 6 meses. Dessa forma, o dentista consegue detectar a presença de qualquer problema bucal ainda em seu estágio inicial. “A prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de boca são a chave para o sucesso do tratamento e a cura dos pacientes”, finaliza ela.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Dulce Helena Cabelho Passarelli - Estomatologia, Patologia Bucal e Laserterapia
São Paulo, SP
CRO-SP: 35856