A restauração dental é uma técnica bastante falada, mas será que você realmente sabe tudo a respeito dela? É fácil ouvir os dentistas recomendando tal procedimento quando um acidente acontece com algum de seus dentes, comprometendo tanto a estética quanto a sua função, mas você já parou para se perguntar como isso funciona na prática? Ou quais benefícios a restauração pode oferecer? Os tipos que existem, e também os tipos de materiais utilizados para isso? Confira tudo que você precisa saber sobre o assunto com o auxílio de vários especialistas!

1. Você sabe o que é restauração dental?

Esse procedimento é bastante comum e costuma ser recomendado em casos de cárie ou fratura, pois a restauração consiste na reconstrução do dente e visa restabelecer tanto a forma quanto a função de cada elemento dental afetado. "O material para restauração desse dente dependerá muito da quantidade de estrutura perdida”, alega o especialista Victor Hugo Werner Baggio. Além disso, de acordo com a dentista Kalina Diniz existem dois tipos de restauração: as diretas e as indiretas. “As diretas são feitas quando é possível adicionar o material diretamente no dente a ser restaurado”, conta a profissional. Por outro lado, as indiretas são indicadas para casos cujo desgaste é maior, e o material precisa ser preparado especificamente para ser encaixado no dente.

1.1 Afinal, para que serve e como ocorre a restauração?

Tem gente que desconfia que a cárie possa fazer um verdadeiro estrago nos dentes, mas não deveria. Ela é perigosa mesmo, e se não for tratada a tempo, a situação pode ficar feia e levar à perda do dente. Felizmente, a restauração existe para ajudar nesses casos, e o cirurgião-dentista José Augusto explica como: “O dentista faz um procedimento para remover a parte deteriorada do dente e preenche essa área com materiais específicos, a fim de impedir a entrada de bactérias e a deterioração do dente”. Além disso, a dentista Kalina Diniz também acrescenta que a restauração ajuda a prevenir uma deterioração posterior do dente. Mas vale ressaltar que todo o processo deve ser feito por especialista da área para garantir que será feito da maneira correta e o resultado será satisfatório.

1.2 Restauração pode trazer benefícios para seu sorriso

Quando os dentes não estão totalmente saudáveis a situação bem difícil, né? Após uma incidência de cárie, então... O processo de comer, que deveria ser prazeroso, se torna doloroso, além da estética, que é outra questão que também fica comprometida com as lesões. Mas graças à restauração dentária tudo isso pode ser resolvido, já que tanto a parte funcional quanto visual dos seus dentinhos podem ser recuperadas com o procedimento. E não é só isso: de acordo com Kalina Diniz, o processo também pode preservar os dentes e evitar uma perda antecipada do elemento ou até mesmo a má oclusão. “O dentista considerará uma série de fatores ao escolher qual o tipo de material de restauração que é o mais apropriado para cada paciente”

1.3 Há contraindicações para realizar a restauração dentária?

Bem como a maioria dos procedimentos, a restauração também tem contraindicações, principalmente quando o paciente possui alguma alergia ao material restaurador, segundo Rodrigo Alvarenga. Além disso, o profissional também destaca casos onde a manutenção do dente não é mais indicada por quaisquer motivos. Quando isso acontece, cabe ao odontologista fazer uma análise minuciosa do quadro para que seja indicada a melhor opção de tratamento. No entanto, assim como as restaurações dentárias, é fundamental que o paciente mantenha consultas de revisão regulares para que o acompanhamento profissional seja feito de perto.

1.4 Que cuidados são importantes após a restauração dentária?

O material utilizado para a restauração pode ser tanto de amálgama, como de resina. Mas é importante destacar que ambos precisam de cuidados especiais. O ranger dos dentes é algo muito comum em pacientes com bruxismo, mas é preciso atenção especial pois esse tipo de atrito pode afetar significativamente a amálgama, danificando a estrutura da restauração. No entanto, o cirurgião-dentista José Augusto afirma que restaurações feitas com esse tipo de material podem durar até 12 anos, desde que a pessoa tenha cautela e faça consultas de rotina no dentista.

A resina, por outro lado, necessita de cuidados diários: controlar a alimentação é o primeiro passo. Bebidas como o café, vinho e até mesmo o refrigerante têm uma pigmentação considerada forte, o que pode escurecer e causar manchas no material da restauração. Já a higiene bucal deve permanecer a mesma, indicando-se o uso de escovas de cerdas macias, e um alerta do profissional é quanto aos bochechos: “Deve-se evitar esse processo com antissépticos à base de álcool, já que o álcool pode prejudicar a qualidade da resina”.

2. Os tipos de restauração dentária

Uma das soluções para quando existem lesões significativas no elemento dental é a restauração, sendo que ela pode ser, pelo menos, de dois tipos. Com o auxílio do dentista Rodrigo Alvarenga Ferreira da Costa, você confere como funciona cada procedimento, que deve ser indicado por um profissional:

Restauração dental direta: É realizado diretamente no consultório dentário pelo dentista, podendo ser usados principalmente o amálgama (uma liga de mercúrio, prata, estanho, cobre e zinco), ou resina composta (um material quase igual à coloração dos dentes).
• Restauração dental indireta: É feito um preparo no dente, moldado e enviado a um laboratório. Lá é confeccionada a prótese dentária e realizado a encomenda, para que a restauração seja posteriormente incluída no elemento dental. O item pode ser de várias materiais, como ouro, prata, porcelana ou resinas especiais.

3. Material: amálgama ou resina?

A diferença entre ambas é clara, a começar pela questão da estética. Se por um lado a amálgama é rainha em chamar a atenção com seu brilho prateado, por outro, a resina é bem discreta e costuma ser a opção preferida dos pacientes justamente por não ser o centro das atenções na hora de um sorriso. “As de resina têm a cor mais parecida com um dente natural, mas não são indicadas para regiões muito grandes”, comenta o cirurgião-dentista José Augusto. Mas além da aparência, quais as vantagens e desvantagens de cada uma delas? Qual a melhor opção de material para sua restauração?

3.1 Amálgama, uma opção mais resistente

Apesar de chamativo, o amálgama possui alta resistência ao desgaste e ao processo de mastigação, além de alta durabilidade. Além disso, o custo é relativamente baixo quando comparado às resinas, e as chances de infiltração marginal e reincidência de cárie são diminuídas. Entretanto, o dentista Johnathan Marcondes destaca as desvantagens do material: “Esse material é anti-estético; tem presença de mercúrio na composição (potencialmente tóxico ao profissional e ao paciente); e liga sujeita a corrosão, implicando em pigmentação indesejável da estrutura dentária”

3.2 Resina, uma opção prática e agradável

Não é somente o fator estético que conta na hora de pensar nos benefícios da resina, hein? O material possui alta adesividade, e de acordo com o especialista Johnathan, a estrutura do dente é mais preservada durante o processo. Além disso, diferentemente do amálgama, a resina não apresenta mercúrio e a restauração pode ser concluída em uma única sessão. Entretanto, o profissional explica que não se pode afirmar que este é o melhor material para o procedimento, visto que cada caso exige uma avaliação profissional, e é através desta que será indicada a técnica mais apropriada para o paciente.

4. Diferença entre restauração e obturação

Por mais que os dois procedimentos sejam utilizados como meio de recuperar dentes que sofreram alguma lesão, é preciso ter em mente que eles não são iguais - apenas com o mesmo objetivo. “Quando nos referimos a recomposição de faces comprometidas de um elemento dental, utilizamos a expressão restauração, que a rigor significa: devolver a forma, a função e a estética do elemento dental”, esclarece o especialista Fernando Luiz Tavares. Enquanto isso, a obturação acontece de forma distinta, já que o processo visa fechar hermeticamente o espaço do interior do dente, segundo ele. Entenda as diferenças.

4.1 Restauração é direcionada a problemas na coroa do dente

De acordo com o especialista Fernando Luiz Tavares, o termo restauração é utilizado quando há a recomposição de partes da estrutura da coroa dental, normalmente perdida por cárie ou trauma. A coroa, no caso, é a parte mais visível do dente e é possível observá-la através de um sorriso. Além disso, ela é uma das partes mais fundamentais para a nossa alimentação, já que é a responsável por morder e triturar os alimentos. Dessa forma, a região acaba ficando exposta às cáries e há maior vulnerabilidade à traumas e acidentes. Quando isso acontece, a restauração costuma ser o procedimento mais indicado para ajudar na reestruturação dentária.

4.2 Obturação é direcionado ao tratamento de canal

O tratamento de canal costuma ser indicado em casos onde a lesão causada pela cárie é mais profunda e chega a atingir a polpa do dente, de forma que a restauração não consegue solucionar o problema. Esse processo é composto por diferentes etapas, sendo que a obturação é a última, já que ela é a responsável por devolver a capacidade funcional do dente. “O termo obturação é utilizado quando se está realizando um tratamento do canal, aí sim você está obturando e não restaurando”, conta Fernando Luiz Tavares.

4.3 Ambas as técnicas podem ser combinadas

Em casos mais severos, quando o tratamento de canal se torna necessário, pode ser feita uma combinação entre as duas técnicas, de acordo com Fernando. “Depois que você faz a obturação do canal radicular, o dente vai precisar receber uma restauração”, afirma. Logo, com a obturação é possível fechar o espaço interior do dente, mas com a ajuda da restauração também é possível recuperar a aparência do dente.