Respirar é fundamental, e desde crianças costumamos ouvir que a inspiração deve ser feita pelo nariz e a expiração pela boca. Mas e quando isso não acontece? Algumas pessoas têm o hábito de fazer tanto o processo de inspirar quanto o de expirar pela cavidade bucal. Embora não pareça nada demais, a respiração pela boca pode trazer alguns probleminhas para o organismo e, dentre eles, está o desenvolvimento inadequado da arcada dentária. Para explicar como isso acontece e de que forma se dá essa interação, o Sorrisologia conversou com o cirurgião bucomaxilofacial Diego Limoeiro. Confira!

Por que algumas pessoas respiram pela boca?

A respiração deve ser feita pelo nariz, então, quando alguém prefere realizá-la pela boca é porque algo não está certo. De acordo com o profissional, os principais motivos para que isso aconteça estão relacionados a alguma obstrução nas vias aéreas superiores, como um aumento dos cornetos, alergias, amígdalas aumentadas, adenóides aumentados, bem como desvio de septo nasal. Caso você perceba que a respiração bucal faz parte da sua realidade, é importante ir atrás dos fatores que influenciam este fato com o auxílio de um especialista. Só assim será possível corrigir esse problema.

Qual a influência da respiração bucal na arcada dentária?

Respirar pela boca pode parecer algo inofensivo a princípio mas, na verdade, essa atitude pode prejudicar a arcada dentária do paciente. “Esse tipo de respiração tende a estreitar o palato (céu da boca), gerando uma atresia maxilar”, conta Diego. O problema é que o palato em conjunto com a falta de contato dos dentes superiores com inferiores, gerado pela respiração bucal, acabam provocando uma alteração na oclusão, como a protrusão dos incisivos superiores. “Portanto são comuns mordidas cruzada posterior, mordida aberta anterior, retrognatia (ausência do crescimento adequado da mandíbula, que é o maxilar inferior)”, concluiu.

Outros problemas também podem surgir

A pelagem das narinas tem o objetivo de filtrar o ar respirado, e a respiração pela boca torna o organismo mais suscetível a infecções por não apresentarem essa filtragem. Além disso, Diego também destaca que adolescentes podem apresentar menor capacidade de concentração quando respiram dessa forma, consequentemente provocando uma queda no rendimento escolar. “Alguns estudos, inclusive pela Universidade de São Paulo (USP), demonstram que a respiração bucal pode desencadear e/ou agravar o transtorno do déficit de atenção”, conta.

Qual o tratamento mais indicado?

Para que o tratamento seja realizado, o primeiro passo é obter o diagnóstico feito por um especialista. Se for precoce, melhor ainda! Além disso, normalmente o tratamento é multidisciplinar, precisando do auxílio de um otorrinolaringologista para verificar o que precisa ou não ser corrigido para melhorar esse quadro. “A abordagem odontológica como ortodontia, bem como fonoaudiológica, também são frequentemente utilizadas”, indica o especialista. Por isso, o paciente deve buscar o acompanhamento profissional assim que identificar que possui respiração bucal. Só dessa forma será possível saber quais são as causas para tentar solucionar o problema de maneira mais adequada.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Diego Limoeiro - Cirurgião bucomaxilofacial / Implantodontista Pós-graduado em Cirurgia da ATM Especialista em DTM e Dor orofacial
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 31146