Queimaduras na boca são comuns e costumam acontecer quando você ingere algum líquido ou alimento muito quente. Como consequência desse ato, aparecem feridas ou lesões na boca. No entanto, o problema, que parece ser pequeno, pode ser extremamente doloroso e, como as feridas são geralmente bem sensíveis, acabam sendo de difícil cicatrização. Por conta disso, o Sorrisologia conversou com o PhD em estomatologia e patologia bucal, Daniel Cohen, e ele contou um pouco mais sobre esse assunto. Confira!

O que fazer quando queimar o céu da boca com alguma comida quente?

A primeira coisa a se fazer quando você queimar o céu da boca é procurar um especialista em estomatologia. “Dependendo da gravidade do ocorrido, a prescrição de corticóide tópico pode ser suficiente, enquanto em casos mais extremos até mesmo a internação pode ser necessária”, esclarece Daniel.

Entenda a função do céu da boca e como ela pode ser comprometida pela queimadura

Segundo Daniel, o céu da boca é composto pelo palato duro, anterior (que apresenta estrutura óssea subjacente) e o palato mole, posterior, e que é de fundamental importância para os atos de deglutição, fonação e respiração. Através de sua musculatura, o palato mole é móvel e é responsável por fechar as vias respiratórias quando engolimos, por exemplo.

Além disso, Daniel comenta que a função do palato pode ser sim comprometida dependendo da gravidade da queimadura. “Por isso, é essencial que a lesão seja acompanhada por um especialista, caso seja de maior gravidade. No entanto, pequenas queimaduras não necessitam de acompanhamento, pois podem cicatrizar em alguns dias mesmo sem medicação”, esclarece.

Alimentos muito quentes podem prejudicar a saúde bucal

Para a saúde bucal, o maior risco das queimaduras térmicas se dá pelo fato de que as mesmas abrem uma porta de entrada para infecções secundárias através da ferida aberta. “Em muitos casos as queimaduras são tão graves, que impossibilitam a alimentação ou se apresentam como um risco à vida do paciente requerendo internação hospitalar”, explica o estomatologista.

Entretanto, ele indica: “O maior risco é o de desenvolvimento de câncer de esófago. Alvo de estudo faz muito tempo, o consumo de bebidas extremamente quentes pode ser carcinogênico”. Além disso, Daniel também alerta: “Atente-se para o consumo de café ou mate (chimarrão na tradição gaúcha) extremamente quentes. O hábito de ingerir qualquer alimento/bebida com temperaturas elevadas se torna preocupante de uma forma geral”, explica.

Confira dicas para evitar esse problema ou amenizar o que já aconteceu

Para minimizar o risco de queimaduras térmicas, o ideal é sempre tomar bastante cuidado com a temperatura dos alimentos antes de ingeri-los. Da mesma forma que o momento da refeição deve ser realizado com um tempo razoável, sem pressa. “Comer com calma minimiza as chances de lesões traumáticas na mucosa oral, que podem também ser extremamente dolorosas e necessitar de tratamento por um estomatologista”, explica Daniel. Além disso, evitar alimentos cítricos ou muito condimentados também é recomendado em caso de feridas na boca, a fim de minimizar o desconforto durante a alimentação. No entanto, em casos mais graves, quando as feridas incomodam mais, busque sempre por uma dieta branda, com alimentos bem cozidos e com pouco sal.

Ademais, é sabido que os microondas são conhecidos por aquecerem os alimentos de forma desigual. “Portanto, deve-se ter um cuidado especial quando consumir alimentos aquecidos nestes aparelhos, pois podem aparentar não estar tão quentes por fora, e estar a temperaturas extremamente elevadas internamente”, indica o estomatologista. Outro cuidado especial a ser tomado, é ao aquecer alimentos para bebês em fornos de microondas. “O risco é eminente de queimaduras de palato por aquecimento de mamadeiras com leite neste tipo de aparelho”, explica.

Em resumo, Daniel esclarece que o dentista, em especial o especialista em estomatologia, deve ser procurado sempre que o caso de queimadura em palato estiver preocupando o paciente. Além disso, qualquer ferida na boca que leve mais de 10 dias para cicatrizar deve ser investigada por um estomatologista. “Lesões brancas, vermelhas ou mesmo úlceras que não cicatrizam na cavidade bucal devem ser sempre vistas por um especialista pelo risco do desenvolvimento de um carcinoma epidermoide (câncer de boca mais comum)”, finaliza.

Este artigo tem a contribuição do especialista: 
Daniel Cohen Goldemberg - PhD. Estomatologia e Patologia Bucal
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 29267