O enxaguante bucal é um grande aliado de um sorriso saudável, mas a variedade de produtos desse tipo no mercado muitas vezes acaba confundindo o consumidor no momento da compra. Apesar de todos eles oferecerem benefícios como um hálito mais refrescante, o combate à cárie e a redução de placa bacteriana, existem diferentes tipos de enxaguantes bucais e cada um deles vai agir de forma diferente sobre a saúde dos seus dentes. Mas afinal, o que os distingue e em que casos eles devem ser aplicados? O Sorrisologia conversou com o cirurgião-dentista Johnathan Marcondes, que esclarece a questão a seguir.

Enxaguantes bucais cosméticos e terapêuticos

De uma maneira geral, os enxaguantes bucais são divididos em dois grupos: os cosméticos e os terapêuticos. Segundo o especialista, os primeiros são aqueles que reduzem ou acabam temporariamente com o mau hálito, deixando na boca um sabor agradável e a sensação de frescor. “Já os terapêuticos contêm agentes específicos para combater problemas como a cárie, a placa bacteriana e a gengivite”. Eles podem ser divididos em:

• Com álcool: É uma opção que deve ser evitada, com uso restrito à prescrição e supervisão profissional. Isso porque a utilização contínua pode provocar o ressecamento da mucosa bucal, descamação dos tecidos moles da boca e inibição das glândulas salivares, o que resulta na diminuição da produção de saliva.

• Sem álcool: É o mais adequado para o uso no dia a dia.

• Com flúor: Recomendados para pessoas com alto risco de cárie, pois combatem as monstrinhas e atuam na remineralização do esmalte do dente. Podem ser utilizados diária ou semanalmente, dependendo da concentração de flúor. Devem ser evitados por crianças que não conseguem cuspir o produto, já que o excesso de flúor pode provocar a fluorose.

• Com clorexidina: É o tipo mais usado para evitar a formação do biofilme dental e o desenvolvimento da gengivite. Enxaguantes com clorexidina também são indicados no período pós-cirúrgico e para a desinfecção das escovas dentais. Entretanto, o uso contínuo pode provocar o manchamento do esmalte dentário, pigmentação de restaurações estéticas e alteração no paladar.

• Com produtos naturais: Os enxaguantes à base de plantas são uma tendência na procura de alternativas naturais para o controle das bactérias que se alojam nos dentes. Porém, esses produtos também demandam a opinião e prescrição do dentista.

Como deve ser feita a aplicação dos enxaguantes bucais?

De acordo com o especialista, o enxaguante bucal pode ser usado diariamente, desde que seja usado de forma correta e sua fórmula não contenha álcool. Isto é, sempre após o uso do fio dental e da escovação. Além disso, ele destaca um ponto muito importante e que poucas pessoas sabem: “Após o uso do enxaguante bucal não se deve lavar a boca com água, pois isso acarreta na eliminação do antisséptico e consequentemente na perda de ação do mesmo”. Por isso, quem está acostumado a limpar a região para tirar o gostinho forte, é melhor evitar, ou você vai tirar toda a eficácia do produto.

O uso de enxaguantes bucais requer alguns cuidados

Apesar de funcionar como um método complementar à higienização mecânica, é importante destacar alguns pontos sobre o uso de enxaguantes bucais, conforme o dentista indica:
1) eles não substituem o processo de escovação dos dentes;
2) só são recomendados a partir dos 6 anos de idade, que é a fase em que a criança já aprende a bochechar sem engolir a solução;
3) eles devem ser indicados pelo dentista.

“A frequência de utilização do produto varia de acordo com a sua fórmula e a indicação do dentista — ele é a melhor pessoa para dizer a quantidade a ser usada e os dias e horários em que isso deve ser feito”, orienta Johnathan. Além disso, entre os hábitos importantes para manutenção de uma boa saúde bucal, o especialista destaca o uso do fio dental e as revisões periódicas com o dentista a cada 6 meses.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Johnathan Marcondes - Cirurgião-Dentista
Parauapebas, PA
CRO-PA: 4456