Algumas pessoas evitam ir ao dentista com receio de descobrirem que precisam passar por um tratamento de canal. Os medos que envolvem essa cirurgia são diversos, e vão do dente escurecer, da dor e até os cuidados do pós-operatório. Com a constante evolução da ciência e da tecnologia, as técnicas para realizar esse tratamento evoluíram, e hoje, há o uso de aparelhos específicos que permitem localizar o foco da infecção e minimizar as possíveis dificuldades do procedimento. Porém, quais podem ser as possíveis complicações causadas por um tratamento de canal? Conversamos com a dentista Adriane Dourado que explica em quais situações o paciente precisa fazer o canal e quais são as suas possíveis complicações.

Quando é indicado um tratamento de canal ao paciente?

O tratamento de canal precisa ser feito quando há inflamação na polpa do dente. Esse procedimento pode ser realizado de duas maneiras: conservadora ou radical. O método conservador é indicado quando for diagnosticada uma inflamação na polpa dental que pode ser revertida. Nesses casos, a dor é provocada por estímulos térmicos, como por exemplo, na ingestão de alimentos gelados. Porém, quando esse tratamento envolve a parte da polpa que fica localizada dentro da raiz do dente e a dor aparece de forma espontânea, a famosa “dor de dente”, é necessário que esse paciente passe pelo procedimento radical.

Uma outra indicação do tratamento de canal é quando a polpa dental se apresenta necrosada na qual há infecção por bactérias. “Normalmente, essas bactérias são vindas da cárie e, nesse caso, pode haver dor ou moderação dela durante a mastigação de alimentos”, explica a profissional. Já em casos agudos, pode existir dores fortes/espontâneas acompanhadas ou não de inchaço. “É importante que o paciente fique sempre atento também em relação à coloração de seus dentes, pois há casos em que um dente, que é mais escuro do que os outros, pode estar morto e necessitar de um tratamento de canal”, completa a dentista.

Quais as possíveis complicações do canal?

O canal pode apresentar complicações decorrentes de um tratamento mal realizado. Geralmente, os problemas ocorrem por conta de bactérias que são resistentes ou até mesmo por causa de alguma negligência do profissional. “ Em alguns casos o cirurgião-dentista pode fazer perfurações na coroa ou raiz do dente, faz desvios e fraturas de instrumentos dentro do canal que podem levar a perda do dente”, completa.

Caso aconteça alguma complicação, o que pode ser feito?

Caso ocorra alguma complicação no tratamento de canal primeiramente, o dentista deve avaliar o quadro para saber qual o melhor tratamento a ser feito. Se a doença do paciente se encontrar numa fase aguda, com dor e inchaço, o dentista deverá prescrever um anti-inflamatório ou antibiótico específico. Somente após a infecção controlada, pode-se realizar a terapia mais indicada. “Caso ela envolva risco de vida, deve-se internar o paciente em hospital e acompanhar o caso juntamente com um cirurgião buco-maxilo-facial e, se necessário, um médico”, completa Adriane.

O que pode ser feito para minimizar a possibilidade de complicações?

Manter uma boa saúde bucal é essencial para o paciente. Para se ver livre de complicações, ele deve procurar usar os métodos de prevenção de doenças, como: hábitos de higiene bucal regulares, escovação de três vezes ao dia, uso do fio dental. “Além disso, é interessante que esse paciente opte por uma dieta balanceada com menos carboidratos e visite seu dentista de 6 em 6 meses para um check-up”, finaliza Adriane.