Você já ouviu falar em prótese dentária? Às vezes, devido a um acidente ou até mesmo a falta de cuidados com a higiene bucal, o paciente sofre a perda de um dente. Por mais que isso pareça afetar muito mais a parte estética, a verdade é que a ausência do elemento dental também deixa a parte funcional debilitada. Então além do constrangimento ao sorrir, mastigar também se torna um processo difícil. Para solucionar esse tipo de problema, surgem as próteses dentárias com vários benefícios para que o paciente recupere o seu sorriso de volta. Entenda tudo o que você precisa saber sobre essas pecinhas com a ajuda de vários especialistas no assunto a seguir!

1. O que são as próteses dentárias?

Normalmente quando uma pessoa perde um ou mais dentes, seja por causa de um acidente ou até mesmo decorrente de alguma doença, como a periodontite, é comum que a maioria dos especialistas indique a colocação da prótese dentária como tratamento. Isso é facilmente explicado porque, além de restabelecer a harmonia do sorriso e corrigir a deficiência estética que a falta de dentes provoca, ela é essencial para que a função mastigatória do paciente não seja comprometida. De acordo com o dentista Murilo Parella, as próteses são indicadas para indivíduos que perderam um, alguns ou todos os dentes.

2. Qual a diferença entre próteses e implantes?

Por mais que tanto as próteses quanto os implantes exerçam a mesma função de repor um ou mais dentes perdidos, eles não são exatamente o mesmo processo - mas podem servir como complementares. "O implante substitui a raiz do dente, repondo o elemento perdido. Entretanto, ele precisa de uma prótese para a reabilitação ficar completa", conta a dentista Elis Regina. Ou seja, o implante sozinho não é capaz de desempenhar o papel de um novo dente, já que ele funciona principalmente como um substituto para a sua raiz. Logo, ele necessita do auxílio de uma prótese dentária para que sua função seja totalmente recuperada. Porém, se por um lado o implante é totalmente dependente da prótese para que o seu trabalho seja completo, por outro, as próteses podem funcionar de maneira independente, sendo considerada uma alternativa menos invasiva para a perda dentária.

3. Os tipos de próteses dentárias

Existem diferentes tipos de próteses dentárias, e por mais que o paciente esteja ansioso para recuperar seus dentes o mais rápido possível, é fundamental passar por um processo de avaliação com um especialista antes. Dessa forma, o dentista poderá encaminhá-lo para a melhor forma de tratamento, e com as devidas orientações. Essa avaliação inicial é necessária porque cada tipo de prótese busca reparar problemas específicos, como você pode conferir a seguir:

3.1 Prótese total removível

Também conhecida como a famosa dentadura, a prótese total removível é comumente relacionada a pacientes da terceira idade, que costumam estar com a saúde bucal mais fragilizada nessa fase da vida. “A prótese removível substitui de um até todos os dentes, tanto na parte superior quanto na inferior”, conta a dentista Rafaela Antonacio. Esses dispositivos são feitos com base na anatomia das arcadas superior e inferior e ficam apoiados na gengiva, facilitando tanto a sua colocação quanto a sua remoção. Apesar de muitas pessoas terem receio desse tipo de prótese, achando que elas podem cair a qualquer momento, há algumas vantagens em seu uso, segundo Rafaela. A possibilidade de retirada pode garantir maior eficiência no processo de higienização da peça é um exemplo disso, mas vale destacar que existem pastas de dente específicas para isso e o ideal é que o paciente sempre verifique com um especialista antes as orientações.
Podem ser de três classificações:

1. convencional: para quem não possui nenhum dente, sendo a prótese confeccionada com retenção apenas no rebordo alveolar;

2. overdenture: é preciso, no mínimo, dois implantes para reter melhor a prótese; 

3. protocolo: para essa são, no mínimo, quatro implantes e a prótese é parafusada nos implantes.

3.2 Prótese parcial removível

Segundo o dentista Murilo Parella, esse tipo de prótese é utilizada quando o indivíduo possui alguns dentes. Isto é, quando o paciente não sofreu a perda de todos os dentes e também não é necessário extrair os elementos dentais remanescentes para a colocação da prótese. Entretanto, é preciso levar em consideração o estado de saúde dos dentes em questão, pois são eles que vão servir como a base para a estrutura protética. Além disso, o especialista destaca que ela pode ser convencional (confeccionado com grampos para reter “abraçando o dente”) ou com attachments, ou seja, feitas com encaixes que são “escondidos” dentro da prótese.

3.3 Prótese parcial fixa

Esse tipo de prótese pode ser de dois tipos: as coroas ou as pontes, onde cada uma é recomendada para casos diferentes por terem suas especificidades.. As pontes, por exemplo, normalmente são indicadas em casos onde o paciente não perdeu tantos dentes, de forma que a prótese consegue utilizar pelo menos dois elementos dentais como suporte. “São próteses dentárias utilizadas para restabelecer a presença de um ou mais dentes ausentes, sendo necessário usar dentes adjacentes ao espaço edêntulo como pilares para a fixação da prótese”, esclarece a cirurgiã-dentista Renata Paraguassu.

Por outro lado, as coroas também são próteses parciais mas que são indicadas para pacientes que perderam somente parte do dente, e não ele por inteiro. Segundo a especialista, as coroas devolvem a anatomia de todo o dente, englobando todas as suas faces dentárias. “Pontes substituem a ausência de um ou mais dentes. Já coroas servem para restabelecer estética e função de um dente que teve grande perda de massa coronária”, conta.

3.4 Prótese sobre implantes

Esse tipo de prótese necessita dos implantes dentários, que são instalados diretamente sobre o osso da maxila ou mandíbula e funcionam como substitutos das raízes naturais dos dentes. Os implantes, na prática, funcionam como um suporte para as próteses, que pode ser parafusada ou encaixada neles. Essa tem sido a alternativa mais escolhida, já que é a que oferece mais segurança para o paciente, tanto no quesito aparência quanto na fixação da peça.

4. Principais cuidados após colocar a prótese

Recuperar seu sorriso com a ajuda da prótese é possível, mas para que não haja nenhum problema posteriormente, é importante que o paciente tenha certo cuidado, principalmente no que diz respeito à higiene bucal. A limpeza deve ser feita normalmente com uma escova de cerdas macias após as principais refeições, mas não se pode deixar de escovar também a língua, gengiva e o céu da boca, pois isso ajudará a manter o bom hálito. Além disso, de acordo com o especialista Johnathan Marcondes, o ideal é que a escovação da prótese seja feita com sabão neutro, pois o uso de creme dental é muito abrasivo.
Além disso, as próteses removíveis podem ser retiradas e encaixadas para facilitar o processo, segundo o dentista Johnathan. “Após cada uma das refeições, retire a prótese (dentadura) e enxágue bem debaixo de água corrente, removendo todos os resíduos alimentares”, instrui o especialista. O mesmo processo deve se repetir antes de o paciente se deitar, com apenas uma diferença: a dentadura deve ser retirada, escovada e colocada em uma solução de limpeza ou água filtrada para repousar por um período de 6 a 8 horas. Ao se levantar, basta lavá-a com bastante água corrente antes de colocá-la de volta na boca, pois o ideal é que as próteses móveis sempre se mantenham úmidas.

4.1 Itens de higiene bucal importantes

De acordo o cirurgião-dentista José Augusto Lopes, existem escovas específicas para a higienização das próteses cujo diferencial são as cerdas grandes e mais firmes. Entretanto, escovas de cerdas macias também são muito bem-vindas, pois ajudam e muito na hora de ajudar a eliminar as tão temidas placas bacterianas. O creme dental deve ser recomendado pelo próprio cirurgião-dentista, já que também existem alguns específicos para esse tipo de situação, e um bônus é que ainda existe outra ferramenta para ajudar na hora da limpeza, que são as pastilhas. E se pintar alguma dúvida sobre o uso de algum produto, é só chamar o seu dentista para bater um papinho para esclarecer isso.

4.2 Consultas de manutenção com o dentista

As visitas ao dentista fazem parte de outro passo fundamental para que as próteses permaneçam firmes e saudáveis. Objetos estranhos podem provocar um acúmulo de bactérias no local, formando as placas bacterianas e abrindo portas para vários problemas bucais, como as cáries e as doenças periodontais. Portanto, consultar um profissional a cada 6 meses é primordial para evitar consequências desagradáveis. Além disso, o profissional também pode observar o estado da prótese, verificando se há ou não a necessidade de realizar ajustes na peça. “Com os cuidados indicados pelo profissional é possível aumentar o tempo útil da prótese e diminuir possíveis desconforto e riscos de complicações”, finaliza o dentista José Augusto.

4.3 Se não cuidar, o que pode acontecer?

Sem os cuidados ressaltados acima, a pecinha pode se desprender da cavidade bucal e todo o procedimento terá sido em vão, até que ele seja corrigido novamente. O que também pode acontecer é que, sem as consultas periódicas com um dentista, o acúmulo de placa bacteriana pode desencadear vários outros probleminhas, que pode até mesmo trazer a perda óssea do paciente. “O acúmulo de microrganismos nas área levam a infecções fúngicas ou bacterianas, ocasionando uma aceleração na perda óssea e gerando uma perda de área de retenção das próteses”, explica o especialista em implantodontia Edgard de Mello.

5. A prótese quebrou, e agora?

Se isso acontecer, é hora de redobrar sua atenção, porque quando uma prótese quebra ou não está bem adaptada, é um risco para a saúde bucal do paciente. Segundo a especialista em prótese Heloísa Crisóstomo, a situação pode levar a lesões na mucosa, provocar aftas e a perda óssea. Por isso é fundamental que o paciente sempre busque a ajuda de um profissional nesses casos, relatando sempre que houver dor ou incômodo na região. Segundo a especialista, geralmente é necessária a confecção de uma nova prótese para garantir que o paciente não vai correr nenhum risco, mas em casos extraordinários é possível fazer um conserto que seja realmente seguro.