Quando pensamos em saúde bucal, a primeira coisa que passa pela nossa cabeça são os cuidados com os nossos dentes. Mas será que só isso basta para garantir um sorriso mais saudável? Bom, a verdade é que o universo bucal é muito mais amplo do que você pode imaginar, e ele engloba também outros importantes aspectos, como a saúde das gengivas. Dentre as várias especialidades que integram a odontologia, a periodontia é a área trata essa região, garantindo que os problemas fiquem longe. O Sorrisologia reuniu as principais informações sobre o assunto, com o auxílio de especialistas da área. Confira!

1. O que é periodontia?

Essa é a especialidade responsável por cuidar da saúde das nossas gengivas, tecido que serve como suporte para os dentes. O profissional dessa área foca na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças que afetam o tecido gengival e que podem prejudicar a saúde do organismo se não forem tratadas corretamente, como a gengivite e a periodontite. Por isso que, em casos de sangramento recorrente da gengiva, o mais recomendado é procurar a ajuda de um especialista no assunto.

1.1 Qual a importância da periodontia?

A gengiva é o tecido que reveste o osso e dá sustentação ao dente e, portanto, é uma estrutura essencial no universo bucal e que precisa de cuidados especiais, principalmente quando as coisas não vão bem. Mesmo que muitas pessoas não deem a devida atenção à essa região, é importante ficar sempre atento a qualquer sinal que fuja do normal. Os problemas gengivais, dependendo da sua gravidade, correm o risco de comprometer todo o tecido de suporte dos dentes, podendo levar a perda dentária. Por isso que, quando acontecem infecções ou inflamações na região, o profissional especializado em periodontia é quem pode ajudar. Ele fará uma análise minuciosa do caso em questão para enfim indicar o tratamento mais adequado.

1.2 Quando é necessário procurar um periodontista?

O periodontista pode ser importante em várias situações! Desde uma simples consulta para verificar se está tudo em ordem com a saúde bucal do paciente, até para realizar tratamentos de doenças específicas que acometem a gengiva. Aliás, você sabia que antes de iniciar qualquer procedimento odontológico, os dentistas costumam encaminhar o paciente para um periodontista primeiro? Pois é: para que qualquer intervenção - cirúrgica ou não - seja feita, um fator imprescindível é que o tecido gengival esteja longe de problemas. Então mesmo que a ideia seja apenas melhorar a estética dos dentes, como é o caso do clareamento dental, você vai precisar de uma consulta com um periodontista para se certificar de que a sua gengiva está em boas condições para passar pelo procedimento em questão.

2. Gengivite

Você escovou os dentes e notou que sua gengiva começou a sangrar logo em seguida? Essa é uma situação bem comum de acontecer, e, apesar de ser bem desagradável, não apresenta tantos riscos para o paciente a princípio. Mas nada de negligenciar a sua saúde bucal hein? Mesmo que a gengivite em si não seja uma doença problemática, é necessário buscar ajuda profissional, porque se essa inflamação gengival não for tratada adequadamente, ela pode evoluir para uma periodontite e, nesse caso, as complicações são maiores. Para evitar que isso aconteça, fique de olho no que você precisa saber sobre esse problema bucal!

2.1 Como a gengivite se desenvolve e as principais causas

De acordo com a odontologista Sílvia Murta, a gengivite é uma inflamação que ocorre principalmente devido ao acúmulo de placa bacteriana nos dentes. Isso acontece quando a higiene dental é feita de forma inadequada e ineficaz e somente a escovação não é suficiente para remover a placa. “Esta placa consiste em restos de alimentos não removidos durante a higienização dental, em associação com bactérias que temos na boca”, explica a dentista Patrícia Trevisan. Além disso, outros fatores também podem estar associados ao surgimento dessa inflamação, como a odontologista destaca:

• Fatores de retenção de placa bacteriana, como as causadas por aparelhos fixos e próteses mal adaptadas;
• Hereditariedade;
• Mudanças hormonais, como pode acontecer com grávidas;
• Doenças sistêmicas crônicas, como em casos de diabetes;
• Uso de medicamentos que podem causar diminuição no fluxo salivar;
• Infecções fúngicas ou virais, como o quadro de candidíase;
• Baixa imunidade e deficiência nutricional;

2.2 Sintomas da gengivite

Os principais sintomas da gengivite, além do sangramento espontâneo, são o inchaço, a vermelhidão e dores na região. “É possível também observar a presença de mau-hálito e, em alguns casos mais avançados, retrações gengivais, onde observa-se um maior distanciamento entre o dente e a gengiva”, acrescenta Sílvia. O mau hálito acontece pelo mesmo motivo da gengivite: o acúmulo de placa bacteriana pode resultar também no mau odor. Já a retração gengival consiste na diminuição do tecido gengival, o que faz com a raiz do dente fique mais exposta, consequentemente deixando o elemento dental mais sensível.

2.3 Tratamento para gengivite

Uma das possíveis soluções para a gengivite é a raspagem supragengival, técnica capaz de remover os tártaros aderidos à superfície dentária que causam a inflamação do tecido gengival. Entretanto, Sílvia orienta: “O primeiro passo a ser dado quando surgem os indícios da gengivite é ir ao dentista ou periodontista, profissional especializado no assunto. Ele vai analisar o estágio da doença e indicará algumas medidas, como melhores hábitos higiênicos e o tratamento adequado”. Em alguns casos, também pode ser necessário que o paciente passe a utilizar cremes dentais e enxaguantes bucais específicos para reverter a inflamação da gengiva, conforme o especialista em periodontia Márcio Costa explica. O tratamento geralmente é eficaz e consegue eliminar a gengivite, se tratada no início.

3. Periodontite

De acordo com o especialista em periodontia Márcio Costa, a periodontite é um estágio mais avançado da gengivite e que afeta consideravelmente os tecidos de suporte ao dente e ligamento periodontal. Entretanto, diferente da gengivite, a doença periodontal envolve a perda de osso em volta do dente, mais especificamente na raiz dele, onde é sustentado. Isso significa que se a doença não receber os cuidados devidos, são altas as chances de o paciente perder o seu dente.

3.1 Como a periodontite se desenvolve e as principais causas

Assim como a gengivite, a principal causa para a periodontite também é o acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes. Porém, esse não é o único motivo para que a doença se manifeste. A má oclusão também pode ser uma das causas para isso, já que quando não há o encaixe perfeito entre os dentes, o acúmulo de restos alimentares é facilitado. Além disso, o acúmulo de tártaro, problemas com cáries, uso de medicamentos fortes (como antibióticos) e até mesmo o hábito de fumar podem ser fatores desencadeantes para o desenvolvimento da periodontite.

3.2 Sintomas da periodontite

Por se tratar de uma evolução da gengivite, as duas doenças são facilmente confundidas por apresentarem sintomas bem parecidos. O único porém é que a periodontite se manifesta de forma mais agressiva, deixando a região da gengiva ainda mais vermelha - e em alguns casos, até mesmo roxa! - e a sensibilidade dentária é mais perceptível. Também é importante prestar atenção se os dentes estão com maior mobilidade ou não, já que a tendência é que eles fiquem mais “moles” devido ao comprometimento da estrutura de suporte.

3.3 Tratamento para periodontite

O tratamento consiste em três etapas: a Terapia Básica Periodontal, a Terapia Cirúrgica e a Terapia Periodontal de Suporte. A primeira equivale ao processo de raspagem supragengival e subgengival, que visa a remoção do tártaro nos dentes tanto na superfície do dente quanto na região abaixo da margem da gengiva. "A remoção mecânica dos cálculos pode ser feita através de instrumentos manuais, como as curetas e o raspadores, ou através de instrumentos ultrassônicos (ultrassom odontológico)", explica o periodontista Clébio Ferreira Júnior. Já a etapa cirúrgica nem sempre é necessária, pois ela somente é recomendada em casos onde o tártaro é muito profundo.
Por último, a Terapia Periodontal de Suporte é uma medida que busca manter o controle da placa bacteriana, evitando possíveis recidivas da doença. "Para se evitar que a doença retorne é fundamental que o paciente faça a Terapia Periodontal de Suporte, que nada mais é do que a consulta de manutenção”, conta a dentista Fabíola Fernandes.

4. Previna-se de problemas periodontais!

A melhor maneira de garantir um sorriso saudável é sabendo cuidar dele, né? Para isso, prevenção é a palavra-chave, e se você mantiver uma rotina de cuidados adequados com a sua saúde bucal, fica muito mais fácil de evitar que problemas como a periodontite ou a gengivite apareçam. “A escovação dos dentes é importante para a remoção da placa bacteriana que, além da gengivite, pode causar também a cárie”, explica o especialista em periodontia Márcio Costa.
E vale lembrar que essa higiene deve ser acompanhada de fio dental, hein? Ele é essencial para limpar regiões em que a escova não consegue alcançar, eliminando resquícios de alimentos que podem ficar presos entre os dentes e até mesmo as placas bacterianas. Por isso é importante não deixar de usar, principalmente antes de dormir. Além dele, os enxaguantes também são importantes aliados contra vários problemas bucais, de acordo com Márcio: “Os enxaguantes bucais ajudam a diminuir a formação da placa bacteriana e levam flúor para os dentes”.
Mas atenção: não esqueça de consultar um especialista em saúde bucal a cada 6 meses ou pelo menos uma vez por ano. Além de avaliar como anda a saúde dos seus dentes e gengivas, o profissional faz uma limpeza muito mais completa da sua boca, garantindo que nenhum problema se instale ali.