Diversos fatores externos são determinantes para o surgimento da DTM, a chamada disfunção temporomandibular. Para tratar o problema, no entanto, é preciso de um diagnóstico bem elaborado para assim indicar a medida mais eficaz. Apesar da cirurgia ser uma opção, nem sempre ela é a mais adequada e pode ser substituída por técnicas alternativas para solucionar esses quadros sem muitos mistérios. Conversamos com o dentista Walter Gealh que explica quais são essas medidas e quando, de fato, a cirurgia é a saída.

Paciente com DTM precisa passar por cirurgia?

Tudo vai depender do diagnóstico que o paciente receber. Essas doenças compreendem um conjunto de alterações que podem acometer os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular ou ambos. O profissional comenta: “Na maioria dos casos as DTMs são de origem muscular e não precisam de cirurgias, pois seu tratamento é totalmente clínico”.

Como é o tratamento de DTM?

Na maioria das vezes, o tratamento de DTM não possui a necessidade de cirurgia, sua abordagem pode envolver diversas terapias e dependendo do quadro, pode acontecer uma abordagem multiprofissional com envolvimento de outras áreas além dos dentistas, como fsioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas comportamentais, psicólogos e psiquiatras.

Grande parte dos pacientes se beneficiam de medidas e tratamentos simples como o controle dos hábitos nocivos que causam a doença, termoterapia, compressa com água morna e, em alguns casos, atividades físicas regulares para aliviar o estresse. “Dentro das DTMs temos aquelas com indicação absoluta de tratamento cirúrgico, porém sua maioria é tratada de forma clínica e conservadora, em função do curso natural da doença”, completa o dentista.

Desta forma, somente em casos extremos onde há a indicação absoluta do profissional ou aqueles nos quais o tratamento em consultório não foi eficaz, a cirurgia pode ser uma opção.

E em quais casos a cirurgia é indicada?

Os principais casos de indicações clássicas de cirurgias de ATM incluem anquilose, que é a rigidez completa ou parcial da articulação e tumores. A grande dúvida da maioria dos pacientes se dá em relação aos desarranjos internos das ATMs, que são os casos de deslocamentos de disco que se manifestam com crepitações, estalos e limitação de movimento mandibular. “Pesquisas recentes têm demonstrado que, na maioria das vezes, os procedimentos cirúrgicos não trazem benefícios maiores do que bons tratamentos conservadores”, explica Walter. É importante ressaltar que somente em casos muito bem selecionados que a cirurgia é indicada, por isso, caso ocorra o desenvolvimento do problema, procure as indicações do seu dentista.

Quais são as outras possibilidades além de cirurgia?

Antes de iniciar um tratamento cirúrgico é recomendável que seja aplicado um método com procedimentos não invasivos como, exercícios terapêuticos para hiper ou hipomobilidade e medicamentos intra-articulares. Essas atividades podem ser opções com elevados índices de sucesso devendo ser indicados antes de tratamentos mais agressivos.

O dentista adverte que devemos ficar atentos ao fator determinante para definir a melhor forma de tratamento, já que muitas vezes, diagnósticos errados fazem com que pacientes sejam submetidos a cirurgias sem necessidade. “O diagnóstico equivocado tem levado muitos pacientes com DTMs musculares à realização de cirurgias de ATM nas quais, muitas vezes, a dor, motivo da queixa, prevalece após os procedimentos cirúrgicos” finaliza o dentista.