Para muitos, fumar se torna um refúgio e uma forma de “desestressar” e aliviar a rotina do dia a dia. Entretanto, essa prática traz inúmeros riscos para a sua saúde no geral, além de prejudicar consideravelmente o seu sorriso e a saúde bucal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cigarro marca mais de 7 milhões de pessoas por ano. Além disso, a cirurgiã-dentista Débora Teixeira ressalta que, fora os problemas bucais causados pelo tabaco, ele também é responsável por doenças cardiovasculares e pulmonares. O Sorrisologia conversou com a profissional e ela esclareceu diversos fatores sobre o assunto, além de revelar várias vantagens de largar esse hábito.

O cigarro pode ser considerado um “vilão” para a saúde bucal?

Prejudicial à saúde em geral, o cigarro também pode trazer graves consequências para a cavidade oral do indivíduo. “O tabaco compromete a saúde bucal, estando associado ao aumento do risco de câncer bucal, doenças periodontais, halitose e ao insucesso de tratamentos restauradores, dos implantes dentários, e da estética das restaurações”, conta Débora. Além disso, a especialista ressalta que o recomendável é que os cirurgiões-dentistas coloquem em relevância as limitações do sucesso de um plano de tratamento odontológico a ser realizado em paciente tabagista.

O cigarro e o câncer de boca

Que o câncer é uma das doenças mais temidas todo mundo sabe, mas você sabia que o câncer de boca é fortemente influenciado pelo consumo do tabaco? Com cerca de quatro mil substâncias químicas tóxicas, um cigarro pode influenciar na mutilação gradual das células sadias da boca e atingir regiões da cavidade oral, como lábios, gengivas e garganta, segundo a profissional.

Outras doenças relacionadas ao tabagismo

Além do câncer de boca, outras doenças que podem atingir a cavidade oral são as doenças periodontais e a halitose - sim, aquele mau hálito pode ser derivado do cigarro. Manchas nos dentes, na língua e mucosa, diminuição do paladar e do olfato e a xerostomia (boca seca) também valem ser citadas pela especialista. “Não deixando de comentar outras doenças relacionadas ao restante do corpo, são aproximadamente 50 enfermidades além do câncer, são algumas delas o enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral e trombose”, enumera.

O melhor tratamento é parar de fumar

Pode parecer óbvio, mas de fato o tratamento mais eficaz é parar de fumar. “Ao parar de fumar você permite a recuperação da maioria dos danos causados ao seu organismo pelo cigarro”, orienta. No entanto, Débora ressalta que em casos onde a doença já está instalada, parar de fumar ajuda a evitar a sua progressão e melhora a qualidade de vida do paciente. “Há uma série de tratamentos medicamentosos, fitoterápicos, instituições e órgãos de apoio para fumantes que desejam parar com o vício.”

Saiba por quê abandonar esse vício

São inúmeros os benefícios quando você deixa o cigarro de lado! Áreas de saúde e bem estar são exemplos disso, mas quando se trata especificamente de saúde bucal, a profissional ressalta as principais vantagens: “A probabilidade de sucesso em tratamentos dentários aumenta consideravelmente: o clareamento do esmalte dos dentes, a diminuição da halitose, a prevenção do câncer de boca, língua e garganta, a restabelecimento do paladar, e muito mais.”

Além disso, a dentista indicou através de uma linha do tempo os benefícios a curto, médio e longo prazo que o indivíduo consegue conquistar ao parar de fumar. Confira:

• A curto prazo

Em 20 minutos – A pressão sanguínea e a pulsação aceleradas voltam aos níveis normais
Em 2 horas – O sangue começa a eliminar toda a nicotina de seu organismo
Em 8 horas – O nível de oxigênio na corrente sanguínea começa a normalizar
Em 2 dias – O paladar e o olfato começam a ser restabelecer, o indivíduo volta a sentir o sabor real dos alimentos e os cheiros e aromas de tudo.
Em 3 semanas – A respiração e a circulação sanguínea evoluem consideravelmente.
Em 1 mês – Aumenta a perfusão da pele, melhorando sua aparência

A médio e longo prazo

Em 3 a 9 meses – Problemas relacionados ao sistema respiratório, são reduzidos e em alguns casos eliminados, tosse seca desaparece e a função pulmonar aumenta em 10%.
Em 1 ano – O risco de infarto é reduzido à metade.
Em 5 a 10 anos – O risco de câncer no pulmão é reduzido à metade.
Em 15 anos - O risco de infarto do miocárdio é reduzido ao de pessoas que nunca fumaram.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Débora Teixeira - Cirurgiã-dentista especializada em odontologia hospitalar
Nova Iguaçu - RJ
CRO-RJ 46583