Perder um dente é bem chato, né? Além de afetar consideravelmente a autoestima, a saúde bucal também fica comprometida. Ainda bem que, com a ajuda do implante dentário, esses problemas podem ser facilmente resolvidos. Com ele, é possível a reabilitação estética e funcional do(s) dente(s) perdido(s). O Sorrisologia preparou uma matéria bem completa para você entender tudo sobre o assunto, com o auxílio de diversos especialistas. Confira!

1. Qual a função do implante dentário?

Para ajudar a trazer de volta o sorriso daqueles que perderam um ou mais dentes, o implante dentário é uma espécie de raiz artificial de metal instalada dentro do osso que funciona como suporte para restaurações. De acordo com o cirurgião-dentista Rodrigo Araújo, essa técnica é capaz de promover uma melhora considerável no desempenho estético-funcional de pacientes que precisam se submeter ao processo de restauração. As estruturas são feitas de titânio e, com implante, a função mastigatória é devolvida ao paciente: o alimento volta a ser triturado e absorvido pelo organismo como se os dentes ainda fossem naturais. “Os implantes servem para reabilitação de áreas onde se encontram ausentes elementos dentários, seja por sua perda ou agenesia (ausência congênita do elemento dentário permanente)”, explica o especialista em implantodontia Paulo Moreira.

2. Qual a idade ideal para colocar o implante?

Para que alguém possa aderir ao implante dentário, é preciso que a formação óssea do paciente já tenha chegado ao fim. “Os implantes só podem ser realizados após o término do crescimento ósseo dos maxilares, pois a instalação dos mesmos antes desse término poderia ocasionar em maus posicionamentos tridimensionais desses implantes futuramente”, conta Paulo. Isso quer dizer que não há idade máxima para que o implante seja recomendado, mas há idade mínima, pois crianças não estão aptas para esse procedimento, já que ainda estão em fase de crescimento.

3. Passo a passo do implante

O implante dentário pode ser feito de duas maneiras: durante uma única consulta, que é quando recebe o nome de carga imediata, ou com um intervalo de 28 a 6 meses, também chamada de carga tardia. Conforme o especialista em implantodontia Alexandre César explica, apesar de o dente ser anexado à estrutura em momentos distintos, o procedimento é o mesmo e acontece da seguinte forma:

1º passo: Em um primeiro momento, devem ser feitos algumas avaliações e exames clínicos, como radiografia, tomografia e escaneamento oral. Dessa forma, o profissional estará capacitado para planejar o novo sorriso de acordo com a estrutura dentária do paciente. Apesar de nem sempre todos os exames serem solicitados, o implantodontista Alexandre César afirma que quanto maior o número de exames, melhor será a previsibilidade na hora da instalação do implante, isto é, menor é o risco de colocá-lo na posição incorreta.

2º passo: Após a análise dos exames, o dentista poderá identificar o tamanho e espessura adequados do implante. Com isso, pode-se seguir dois caminhos: o procedimento com uma guia cirúrgica, sem a necessidade de abrir a gengiva com o bisturi, ou a cirurgia clássica, abrindo a gengiva e suturando-a em seguida.

3º passo: Por último, o profissional responsável utiliza brocas milimetradas para fresar uma cavidade no osso, onde o implante será colocado e rosqueado. Com ele fixo no local, a prótese já está pronta para ser introduzida e em breve o novo sorriso do paciente estará pronto.

4. O tempo de recuperação

A cicatrização da gengiva acontece de maneira rápida, e dentro de uma semana já é possível remover todos os pontos. No entanto, o tempo de integração do osso ao implante, chamado de osseointegração, pode variar de 3 semanas até 6 meses, pois depende muito de como a adaptação do corpo ao implante acontece. “Implantes com superfície hidrofílica (com atração por água) ‘osseointegram’ entre 3 e 6 semanas, enquanto implantes com outras superfícies levam 3 a 6 meses para ‘osseointegrar’”, explica o especialista em implantodontia Vinicius Marchiori.

Os fatores que mais influenciam nesse processo são o material utilizado e a situação óssea do paciente. “Após a osseointegração, os implantes são reconhecidos pelo corpo como parte dele, antes de ‘osseointegrar’ há risco de perder o implante por movimentos precoces ou infecções, já que a boca é um ambiente contaminado”, explica.

5. Cuidados antes, durante e após o procedimento

Para que tudo ocorra da melhor maneira, é preciso saber cuidar muito bem da sua saúde bucal, principalmente no que diz respeito à higiene. Antes de colocar o implante, por exemplo, é recomendada uma boa limpeza dos dentes com um profissional. “A profilaxia ajuda a evitar que qualquer bactéria da boca entre na corrente sanguínea e atinja o coração durante ou após o procedimento”, alerta o dentista Alexandre.

Já no dia do procedimento, bochechos com produtos do tipo clorexidina podem ser solicitados para diminuir a concentração de bactérias presentes na boca. No entanto, o especialista destaca: “Após, não se deve fazer bochechos para não remover o coágulo, que é o grande responsável pela cicatrização.”

Agora o momento mais importante talvez seja quando o tratamento for finalizado, já que o paciente deve se atentar à prótese como se ela fosse um dente natural. O cuidado com a alimentação deve ser redobrado, principalmente nas primeiras 48 horas, já que o recomendado durante esse período é apenas a ingestão de alimentos líquidos ou pastosos. Já quanto ao processo de escovação, ele deve ser o mesmo de antes. Algumas ferramentas como as escovas interdentais, fio dental super floss e irrigador oral podem ser de grande ajuda nessas horas.

6. Não se esqueça das visitas de manutenção

Tão importante quanto a higiene são as visitas ao seu dentista para reparos e manutenção do implante. Quanto à frequência das consultas, o dentista Sérgio Siqueira explica: "Isso vai depender do tipo de prótese que a pessoa possui e da competência do paciente para mantê-la devidamente higienizada". No entanto, vale destacar que as próteses de encaixe normalmente são trocadas a cada seis meses ou após o período de um ano, enquanto as fixas devem ser removidas anualmente. O ideal é que o procedimento seja feito com o mesmo profissional que as colocou.

7. Dúvidas sobre o implante? A gente te explica!

É claro que, como a maioria dos procedimentos, o implante também gera algumas dúvidas nas pessoas. Mas pode ficar tranquilo, pois juntamos as principais questões levantadas pelos pacientes e, com a ajuda do implantodontista Sérgio Siqueira, o Sorrisologia te ajuda a desvendá-las para que tudo fique claro.

7.1 Dói para colocar o implante?

Se é esse o medo, não há com o que se preocupar: o procedimento cirúrgico conta com anestesia local, o que evita que o paciente sinta qualquer dor durante o processo. Entretanto, se por um lado é possível ficar livre das dores, por outro, um incômodo ou outro pode ser sentido após a cirurgia. "Nos dias seguintes à cirurgia pode ocorrer algum desconforto que normalmente é controlado com uso de analgésicos ou anti-inflamatórios", atenta o profissional.

7.2 Pacientes que não tem osso podem colocar?

Podem sim! Mas é importante destacar que isso não deve ser feito sem a colocação de um enxerto antes, como o especialista observa: "Se não existe osso para instalação de implantes em posição ideal, uma cirurgia de enxerto ósseo pode ser recomendada previamente na área em que o implante é indicado". Além disso, é preciso esperar certo período de tempo para que o enxerto seja incorporado e aceito pelo corpo. Só após esse intervalo, o organismo estará apto para receber o implante.

7.3 O corpo pode rejeitar o implante?

O que pode acontecer em casos onde a cirurgia não foi feita corretamente é o desenvolvimento de alguma infecção ou contaminação, mas nunca uma rejeição. De acordo com o implantodontista, o corpo humano rejeita células estranhas, como em um transplante, por exemplo. No entanto, o implante de um dente é um corpo inerte que o organismo aceita. Caso o paciente observe qualquer anomalia pós-cirúrgica, o ideal é que ele procure ajuda especializada para verificar o que aconteceu.

7.4 Qualquer pessoa pode passar por esse procedimento?

Nem todo mundo pode colocar o implante dentário, e não são somente as crianças. Há restrições que dependem da saúde geral e bucal do paciente, por isso normalmente são feitas consultas de avaliação antes para verificar se a pessoa está apta ou não para realizar o procedimento cirúrgico. Alguns dos problemas que podem impedir isso são:

• Pessoas diabéticas não tratadas
• Hipertensos não compensados
• Pacientes com problemas cardíacos que não seguem o tratamento
• Pessoas que usam medicamentos que afetam a cicatrização óssea
• Pacientes que fazem radioterapia
• Gente com pouca espessura óssea na área da colocação dos implantes

7.5 Cárie no implante é possível?

Com as bactérias presentes em nossa boca, fica difícil não se preocupar com o desenvolvimento de algumas doenças, né? Principalmente quando pensamos na tão temida cárie. Contudo, se a sua preocupação é saber se essa monstrinha pode afetar o dente implantado, pode relaxar. Isso porque a formação da cárie só acontece em dentes que possuem esmalte e dentina, e como a prótese do implante é feita de cerâmica ou resina, não há perigo.