Imagina ter mais dentes na boca do que o considerado “normal”? Isso sem contar com os sisos, claro. Algumas pessoas podem até estranhar no início, mas essa condição, apesar de rara, não é um bicho de sete cabeças desde seja tratada assim que for identificada. Além de poder afetar a estrutura da cavidade oral, a hiperdontia também pode estar relacionada a outras síndromes. O Sorrisologia conversou com a cirurgiã-dentista Rhianna Barreto e ela explicou as principais questões sobre esta condição.

O que é hiperdontia e como identificar

De acordo com Rhianna, denomina-se hiperdontia a formação de um número aumentado de elementos dentários, que podem ser classificados como supranumerários (forma anatômica anormal) ou suplementares (forma anatômica normal). Mas como saber se você tem o número certinho de dentes? Por mais que a maioria dos casos seja assintomático, o diagnóstico normalmente é feito por exames radiográficos de rotina, segundo a ortodontista. “A detecção precoce e o subseqüente tratamento são muito importantes na prevenção de várias alterações bucais. Apesar de assintomáticos, os dentes supranumerários têm sido associados à dor, bem como à pericoronarite. Daí a importância do diagnóstico e da remoção precoces”, alerta.

A hiperdontia se manifesta na infância ou apenas na fase adulta?

“A maioria dos casos ocorre na dentição permanente, embora possa acontecer seu aparecimento em ambas as dentições (decídua ou permanente)”, indica a profissional. Além disso, ela também ressalta que a maior ocorrência acontece no sexo masculino e, embora os dentes supranumerários possam ser bilaterais, a maioria ocorre unilateralmente. Casos em que a hiperdontia acontece em um único dente ocorre mais freqüentemente na dentição permanente, sendo presente, aproximadamente, em 90% na maxila, com forte predileção pela região anterior.

O excesso de dentes é considerado um problema bucal?

Além de ser um problema propriamente dito pela dor que costuma causar, a hiperdontia também está associada à má oclusão, reabsorção radicular, desvitalização de dente vizinho e a formação de cistos com destruição óssea. “Numerosas síndromes hereditárias estão associadas com a hiperdontia, como as seguintes: angio osteo hipertrófica, displasia cleidocranial, Curtius, Fabry-Anderson, Gardner, Hallermann-Steiff, oral-facial-digital tipo I, Sturge-Weber.”

Cirurgia pode resolver o problema

Antes de iniciar qualquer tipo de tratamento, o ideal é que haja uma análise minuciosa do caso para que o diagnóstico seja realizado corretamente. Este procedimento envolve radiografias panorâmicas e periapicais em todas as crianças na fase de dentição mista, segundo Rhianna. Já nos adultos, esse processo é feito de forma regular, juntamente a um bom exame clínico, evitando possíveis problemas funcionais e estéticos aos dentes adjacentes. “Uma vez constatada a presença de um supranumerário - seja irrompido ou retido -, e que esteja interferindo no estabelecimento normal de oclusão, recomenda-se a remoção cirúrgica o mais rápido possível.”

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Rhianna Barreto - Cirurgiã-Dentista
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 37448