O canal é um tipo de tratamento dentário em que o dentista retira o tecido que é encontrado na parte interna do dente, a sua polpa. Por ser um procedimento bastante delicado, envolver anestesia, raio-x e cuidados especiais em seu pós-operatório, existe a dúvida se em mulheres que estão em período de gestação o tratamento pode ser arriscado. A dentista Sofia Cabaleiro responde questões sobre esse assunto e dá as principais recomendações para as futuras mamães.

Existem procedimentos odontológicos que grávidas não podem realizar? Quais?

Para as mulheres que estão no período de gestação, nos primeiros três meses é recomendado que os profissionais tenham cautela no momento do atendimento. Não é aconselhado que as gestantes passem por procedimentos como anestesias e radiografias, visando o bem-estar da mãe e do bebê. Porém, a dentista explica que há casos em que esses procedimentos precisam ser feitos. “Essa condição não é uma restrição absoluta, caso haja necessidade, um caso de urgência ou emergência, por exemplo, o atendimento é viável dentro dos limites de segurança e, se possível, com aval do médico que acompanha a gravidez”, comenta.

Grávidas também podem realizar tratamento de canal?

Primeiramente, o profissional precisa olhar para a paciente grávida como uma paciente normal, que necessita de alguns cuidados especiais. “O estresse causado pela dor de dente pode afetar a qualidade de vida do bebê, e isso já é comprovado por especialistas na área de neonatologia”, explica a dentista.

Já para o procedimento de canal, depois de analisar o quadro, o dentista irá selecionar o anestésico mais indicado, utilizar protetores de chumbo para realização das radiografias e prescrever medicações apropriadas caso seja necessário. “Nesse momento, o mais importante é cessar com a dor da paciente através de técnicas seguras sem que elas prejudiquem a sua gravidez”,completa a profissional.

Quais são as possibilidades de problemas nesse caso?

Normalmente, os problemas são associados às anestesias com relação à técnica, quantidade administrada, efeitos citotóxicos e de problemas no feto. Porém, essa não deve ser a única preocupação, a dentista afirma que é necessário cautela por parte dos profissionais no momento de prescrever os medicamentos que podem ser utilizados no pós-operatório. “Nesse caso, é importante ter um histórico que apresente todos os sintomas da paciente. Ele deve ser bem realizado para que não haja quadro de alergias medicamentosas”, explica Sophia.

Quais são as orientações passadas para as pacientes grávidas?

O pré-natal odontológico é fundamental, pois se for preciso algum tratamento durante a gestação é possível programá-lo para o momento ideal. Porém, se for necessária uma consulta de urgência, sem que ela esteja programada, a paciente grávida pode ficar tranquila que o atendimento é altamente viável e aconselhável. Já no caso do tratamento endodôntico, como o tratamento de canal, é recomendado o uso de medicações apenas quando extremamente necessário.

Além disso, é importante que essa paciente siga corretamente as medicações prescritas pelo profissional para que exista um maior controle sobre o tratamento. A dentista faz uma recomendação para as pacientes na hora em que precisarem se consultar: “É importante sempre avisar ao seu dentista que você está grávida, qualquer que seja o motivo da consulta. Além disso, é ideal que essa paciente entenda que não tratar a doença em questão supera os eventuais riscos dos procedimentos odontológicos envolvidos”, finaliza a dentista.