Você notou que a sua gengiva está sangrando com certa frequência ao escovar os dentes, mas não sabe o motivo? Pode ser que seja uma gengivite! Esse é um problema relativamente comum de acontecer, mas não significa que seja algo que deva ser normalizado. Pelo contrário, é importante ficar atento às causas do sangramento e procurar a ajuda de um especialista se o problema persistir para iniciar o tratamento mais adequado. Para desvendar as principais questões que envolvem essa patologia bucal, o Sorrisologia reuniu em uma matéria tudo que você precisa saber com o auxílio de vários especialistas no assunto. Veja a seguir!

1. Entenda o que é a gengivite

A gengivite é caracterizada por uma inflamação no tecido gengival que deixa a região mais frágil e suscetível a sangramentos, principalmente durante o ato da escovação. Esse quadro é formado a partir do acúmulo de placa bacteriana que não é removido corretamente na hora de higienizar os dentes. “Esta placa consiste em restos de alimentos não removidos durante a higienização dental, em associação com bactérias que temos na boca”, explica a dentista Patrícia Trevisan.

1.1 O que causa a gengivite?

A principal causa da gengivite é o acúmulo de placa bacteriana que fica retido na superfície dos dentes, principalmente em áreas de difícil acesso ou se o paciente não tem o hábito de realizar a limpeza dos dentes com a frequência necessária (pelo menos três vezes ao dia). No entanto, é preciso levar em consideração que alguns fatores também podem influenciar nesse processo, como Patrícia destaca:

• Retenção de placa bacteriana causadas por aparelhos fixos e próteses mal adaptadas;
• Mudanças hormonais, como em mulheres grávidas;
• Doenças sistêmicas crônicas, como em casos de diabetes;
• Uso de medicamentos que possam causar diminuição no fluxo salivar;
• Baixa imunidade e deficiência de nutrientes;
• Escovação realizada de forma inadequada;

1.2 Por que é importante tratar esse quadro?

A gengivite é uma patologia simples e que normalmente não apresenta grandes riscos, mas é importante tratá-la desde o início para evitar consequências desagradáveis. Quando não recebe os devidos cuidados, a gengivite pode evoluir para uma periodontite, que é um problema bucal muito mais grave que, se não tratado, pode levar a perda dos dentes. Segundo a odontologista Núbia Marinho, esse estágio mais avançado chamado de periodontite afeta diretamente o suporte dentário, e a perda deste suporte faz com que eles fiquem soltos e acabem caindo em algum momento. Se isso acontecer, a mastigação e outras funções ficam debilitadas, podendo desencadear até mesmo em problemas estomacais ou de mau hálito.

1.3 Fique atento aos sintomas da gengivite

• Gengivas inchadas ou avermelhadas
• Sangramento
• Mau hálito
• Retração gengival
• Sensibilidade dentária
• Formação de bolsas periodontais

1.4 Como aliviar o incômodo da gengivite?

Ficar com a gengiva inchada e dolorida é uma situação bem chatinha mesmo, mas antes de recorrer a qualquer método encontrado na internet, é imprescindível consultar um especialista no assunto. “As substâncias utilizadas na cura podem mascarar o problema e, com isso, o quadro de edema surgir novamente após um tempo de forma mais grave”, alerta a periodontista Caroline Pessoa. Por isso, a melhor solução é não tentar fazer nada por conta própria. O que você pode fazer e que certamente vai te ajudar a se recuperar mais rapidamente da inflamação é manter uma boa rotina de higiene dos dentes com as ferramentas certas: uma escova de dentes com cerdas macias e creme dental indicado pelo seu dentista para combater o problema.

2. Gravidez e gengivite

Durante a gravidez, é normal que o corpo feminino passe por várias transformações para se preparar para receber o novo integrante da família. Com os hormônios à flor da pele, um dos aspectos que é influenciado nesse período é a saúde bucal da mulher. Isso facilita e muito a ocorrência da gengivite, conforme a odontopediatra Camila Almeida explica: “Durante a gestação, dois dos principais hormônios femininos - progesterona e estrogênio - atingem graus bastante elevados, aumentando o calibre dos vasos sanguíneos e facilitando o sangramento”.

2.1 A gengivite representa algum risco para o feto?

Segundo o periodontista Edgard de Mello Fonseca, a gengivite possui um caráter infeccioso e inflamatório que pode resultar em uma série de substâncias inflamatórias no corpo. Esse seria um dos motivos para que aconteça, por exemplo, um parto prematuro. Entretanto, de acordo com a odontopediatra Flávia Macedo, pesquisas atuais revelam que não é possível estabelecer a relação entre doenças gengivais como fator de risco para nascimento antes do tempo. Por isso que, se as gengivas sangrarem, o mais recomendado é que a gestante procure um especialista em saúde bucal para maiores orientações. Melhor não arriscar, né?

2.2 Como cuidar da gengivite durante a gravidez?

Por mais comum que seja a gengivite na gravidez, é necessário redobrar os cuidados com a saúde bucal nessa época. Por isso, mesmo com tantas outras preocupações, manter a frequência da escovação é um fator importante para evitar a inflamação gengival, além de se atentar ao tipo de escova ideal para que a região não seja machucada. Além disso, uma dieta saudável é fundamental para a saúde da mamãe e do feto. O desejo de doces pode ir e vir, e é claro que isso não traz nenhum grande problema desde que a higiene seja feita após o seu consumo, mas o ideal é que a paciente opte por alimentos mais saudáveis para garantir maior controle da placa bacteriana.
Outra medida que pode ser implementada é a utilização de cremes dentais específicos para a gengiva, que visem protegê-las. Isso ajuda a fortalecer a região gengival, tornando a gravidez mais tranquila para a gestante e seu filho no que diz respeito a sua saúde.

3. Tratamento da gengivite

Se a gengivite se instalou no seu sorriso, a melhor maneira de evitar problemas futuros é tratando-a com o auxílio de um profissional. Como normalmente o seu aparecimento tem ligação direta com o acúmulo de placas e, consequentemente, de tártaro nos dentes, os tratamentos são voltados para a remoção dessas células, promovendo uma limpeza profunda na cavidade bucal do paciente. As alternativas para isso são através de um aparelho ultrassom ou da raspagem, como você pode ver a seguir.

3.1 Ultrassom

De acordo com a dentista Sofia Cabaleiro, o ultrassom periodontal é uma ferramenta bastante eficaz para o tratamento da gengivite. “Ele consiste em um aparelho que possui uma ponta que vibra, que são ondas sonoras de alta frequência, que ao ser colocada em contato com o cálculo (tártaro) promove sua fratura e remoção”, conta. Ele pode ser indicado para pacientes que apresentam acúmulo de tártaro, mas há contraindicações: “Pacientes com marca-passo não devem realizar procedimento de remoção de tártaro com ultrassom periodontal, pois este aparelho altera o ritmo”. Nesses casos, especificamente, o mais recomendado é a raspagem.

3.2 Raspagem

Outra possível solução para cuidar da gengivite é a raspagem, que pode ser supra ou subgengival, dependendo de onde o acúmulo de tártaro está localizado. Essa técnica consiste na remoção manual do tártaro através de ferramentas odontológicas específicas para esse fim, as curetas. "O tratamento tem como objetivo a remoção dos tártaros ou cálculos aderidos à superfície dentária, além da descontaminação da superfície radicular, removendo toxinas prejudiciais ao periodonto", esclarece o especialista Clébio Ferreira Júnior.

4. Dicas de prevenção para a gengivite

Depois de detectada, o tratamento é fácil. A famosa limpeza, removendo o tártaro, pode acabar com o problema, mas não significa que você estará livre de responsabilidades. Os cuidados bucais devem ser diários, assim como comer bem e beber muita água. Anote essas dicas para amenizar os incômodos da gengivite e curá-la mais rapidamente.

• Escove os dentes diariamente com o auxílio do fio dental para remover toda a sujeira
• Procure cremes dentais que contenham Fluoreto de Estanho, substância que ajuda a prevenir a gengivite, o sangramento gengival e reduz a placa em até 6,9%
• Invista em uma escova elétrica para uma remoção mais eficaz e prática das placas
• Consulte o seu dentista pelo menos uma vez por ano ou a cada seis meses para uma limpeza profissional e exames de rotina
• Uma alimentação rica em vitamina C também ajuda a combater o problema