Quem tem a língua presa, além de sentir dificuldade para falar e se expressar desde cedo, também pode encontrar outras dificuldades durante a vida relacionadas à saúde. Para corrigir o problema e evitar que outros apareçam, um procedimento cirúrgico possível e recomendado pelos especialistas é a frenectomia. Para entender como a cirurgia é feita e os cuidados com o pós-operatório, o Sorrisologia conversou com a cirurgiã-dentista Rhianna Barreto. Confira!

O que é a língua presa?

Para entender como a língua presa se desenvolve, é necessário entender o que são os freios, que podem ser divididos em labiais e linguais. “Os freios são estruturas dinâmicas sujeitas a variações na forma, tamanho e posição durante os diferentes estágios de crescimento do indivíduo”, define a profissional. Os freios labiais (superior ou inferior) tem a função de limitar os movimentos dos lábios, promovendo a estabilização da linha média e impedido a excessiva exposição da gengiva, segundo Rhianna. A anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa, acontece quando esse freio é menor do que o normal, fazendo com que os movimentos do órgão sejam mais limitados ainda. Já o freio lingual restringe o movimento da língua, favorecendo a deglutição, fala e fonação.

Língua presa pode trazer outros problemas

Um paciente que possui o freio lingual anormal pode sofrer com outros pequenos problemas e anomalias causados pela língua presa, se ela não for tratada. De acordo com a dentista, um diastema interincisal, problemas protéticos, doença periodontal relacionada com a retenção de alimentos, dificuldades na higiene oral e na mobilidade labial são algumas das possíveis consequências em um paciente adulto. Entretanto, crianças, bebês e recém nascidos também podem ser afetados pela anquiloglossia, já que o quadro interfere diretamente na amamentação, fala e deglutição.

Frenectomia pode resolver o quadro

O tratamento cirúrgico para corrigir a língua presa é a frenectomia, e ela pode ser realizada por meio de duas técnicas distintas: o freio labial pode ser dividido ou removido. “A técnica cirúrgica pode ser realizada com o uso de bisturi manual ou bisturi elétrico e é recomendada em casos de pacientes com distúrbios hemorrágicos, e com o uso do laser”, conta a cirurgiã-dentista. Para quem tenta fugir de procedimentos cirúrgicos a qualquer custo, vale destacar que a cirurgia é bem simples e conta com anestesia local. O planejamento deve ser feito de acordo com a necessidade de cada paciente, e apesar de não existirem contra-indicações específicas, a especialista destaca que pacientes com comprometimento sistêmico não podem passar por esse tipo de intervenção.

Pós-operatório é tranquilo

Assim como em qualquer outra cirurgia, a recuperação requer alguns cuidados específicos com a região e o uso de medicações prescritas, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. Dentre os fatores que devem receber mais atenção, a dentista destaca que o paciente deve optar pela alimentação fria e pastosa durante as primeiras 48 horas, além de colocar gelo no local regularmente. Portanto, nada de alimentos quentes ou ficar no calor! Além disso, não fumar e evitar esforço físico nos primeiros dias também é fundamental para que o processo de recuperação seja tranquilo. Rhianna ainda acrescenta: “É importante tomar a medicação adequadamente (analgesico e antiinflamatorio), e não se pode esquecer de realizar a higiene local, de preferência com clorexidina 0,12%”.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Rhianna Barreto - Cirurgiã-Dentista
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ:37448