Quando pensamos na cavidade oral, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a dos dentes. Depois a língua, a gengiva… E poucas vezes nos damos conta de que também existe um outro componente que auxilia na proteção de todo o resto: a saliva. Não é à toa que ela passa o tempo todo circulando pela boca, né? Ela tem papel importantíssimo para o equilíbrio da cavidade oral, e, quando a sua produção sofre alguma alteração - seja de excesso ou de redução -, a saúde bucal do indivíduo pode ficar comprometida. O Sorrisologia conversou com a estomatologista Beatriz Venturi sobre o assunto, e ela esclareceu algumas questões.

A função da saliva

Importante tanto na mastigação, gustação e deglutição de alimentos, a saliva é um fluido que também pode ser considerado uma espécie de barreira protetora de problemas bucais. Isso porque ela possui uma capacidade de tampão que promove a neutralização da acidez bucal, protegendo os dentes de alguns transtornos como a famosa cárie. “A saliva protege de infecções, umedece iniciando a digestão, facilitando a fala e a deglutição”, conta a especialista.

O que pode ser definido como o excesso ou a redução de saliva?

A quantidade de saliva que cada indivíduo produz pode variar. Isso faz com que, em alguns casos, ocorra o excesso do fluido ou a sua redução. “Além disso, algumas vezes ela não está aumentada ou diminuída na quantidade, mas sim nos seus componentes, podendo causar sensação de alteração na quantidade e alterar as suas propriedades e funções”, indica Beatriz. A especialista também comenta que o excesso, conhecido como sialorreia, costuma ser uma condição mais fácil de ser notada; o problema, no entanto, está na falta do fluido, que só costuma ser percebida quando quase 90% da saliva já foi perdida.

É necessário realizar tratamento?

Por ser considerado um componente fundamental para o equilíbrio bucal, a estomatologista afirma que a quantidade e qualidade de saliva deve ser checada a cada consulta com o dentista. Se ocorrer alguma alteração, o profissional estará ciente e poderá instituir o tratamento adequado. “O tratamento vai depender da causa, mas pode envolver medicamentos, laser e até mesmo acupuntura”.

Conheça os problemas bucais causados pelo excesso ou pela redução de saliva

A sialorreia normalmente não traz graves consequências para o paciente e muitas vezes o tratamento se torna até mesmo dispensável, já que não afeta de maneira significativa o equilíbrio bucal da pessoa. No entanto, casos mais complexos podem surgir, e quando isso ocorre, abordagens mais invasivas, como uma intervenção cirúrgica, podem se tornar necessárias para solucionar a questão. “O excesso de saliva costuma ser mais fácil de identificar e de tratar e somente em casos específicos pode causar problemas, como broncoaspiraçao ou asfixia”, conta.

quanto à xerostomia, ela alerta que a falta de saliva pode estar relacionada a diversos fatores, podendo trazer transtornos para o paciente, como cáries recorrentes, perda de restaurações, doença gengivais, candidíase, ardência, entre outros.

Descubra como contornar esse problema

Pode ser que pareça bobagem, mas existe uma maneira muito simples e prática de resolver esse problema: bebendo água. Além de ser saudável e hidratar o corpo de uma maneira geral, a água é importante para que haja substrato para fazer a saliva, segundo a especialista. Outro ponto que a profissional também aponta é quanto a alimentação saudável, que influencia diretamente na saúde bucal do paciente.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Beatriz Venturi - Estomatologista
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 25916