A erosão nos dentes acontece quando há uma desmineralização no esmalte dentário. Assim, o dente começa a ficar mais fraco e amolecido, sem seu principal mineral, o cálcio. Mas o que pode provocar esse desgaste? No geral, qualquer ácido, mas principalmente a acidez bucal e alguns problemas gastrointestinais. Entre eles, o refluxo é o mais comum. Para entender melhor a relação dessas complicações com a erosão, conversamos com a estomatologista Dulce Helena Cabelho.

Erosão dentária pode ter causas intrínsecas e extrínsecas

A erosão dentária é dividida em dois tipos. A erosão extrínseca acontece quando o desgaste do dente foi motivado pela acidez na boca. Isso pode acontecer sempre que o paciente mantiver uma dieta ácida e contato com ambientes com o pH mais ácido, como é o caso de nadadores profissionais e degustadores de vinho, por exemplo. Por conta disso, o pH bucal e da saliva diminui, facilitando o desgaste do esmalte. A erosão intrínseca, como o nome já sugere, acontece por conta de alterações no interior do organismo. 

Erosão intrínseca: causada por problemas no estômago ou bulimia

O que mais propicia a erosão intrínseca são os vômitos constantes. Esse sintoma faz com que o meio bucal fique mais ácido, aumentando as chances da desmineralização do esmalte do dente. O refluxo é o problema mais comum nesse sentido. Nessa complicação, o suco gástrico do estômago volta para o esôfago e pode fazer todo o caminho de volta para a boca. Se isso acontece, o meio bucal fica bem ácido, diminuindo a salivação e possibilitando a erosão dentária. Um outro caso em que isso acontece é com transtornos alimentares. “A erosão também pode estar associada à uma doença sistêmica grave relacionada a estados depressivos que podem culminar em vômitos provocados, recorrentes e diários em pacientes bulímicos”, comenta.

Qual é o tratamento e prevenção da erosão no dente?

Como as crises de vômito podem trazer uma grande perda dentária, cabe ao dentista ter os cuidados emergenciais, como restaurar o dente e educar o paciente a uma melhora em sua dieta ou encaminhar para outros profissionais. Depois disso, o especialista precisa encontrar meios de aliviar qualquer dor possível que o paciente esteja sentindo e também devolver a estética ao seu sorriso. “Como alívio da dor, propõe-se a proteção da dentina indevidamente exposta com a utilização de cimentos de ionômero de vidro, vernizes fluoretados ou, se necessário, tratamento endodôntico”, explica ela. Após resolver o problema dentário, também é importante procurar ajuda de outros profissionais. Pacientes com refluxo devem procurar o gastroenterologista e aqueles com bulimia, o psicólogo e nutricionista.

Além do refluxo e bulimia, má higiene bucal e a constante presença da cárie são considerados fatores que possibilitam o desenvolvimento das erosões. Para se prevenir da doença bucal, basta consultar os profissionais e seguir suas recomendações. “É fundamental uma abordagem de educação alimentar e saúde bucal concomitante ao tratamento restaurador”, finaliza.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Dulce Helena Cabelho Passarelli - Estomatologia, Patologia Bucal e Laserterapia
São Paulo, SP
CRO-SP: 35856