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13.12.2019

Endodontia: do que se trata essa especialidade? Quando ela pode ser necessária? Por que o endodontista é importante?

Expert

Sofia Cabaleiro

Sofia Cabaleiro

CRO-MG: 34919

Graduada pela Universidade Estadual paulista (UNESP). Pós-graduada em Endodontia, Cirurgia Oral menor e Dentística (IES- Instituto de Estudos da Saúde). Curso de Toxina botulínica com aplicação na odontologia pela ABO-SP.

Cuidar dos dentes parece algo fácil, mas isso só é possível porque existem várias áreas dentro da odontologia que são responsáveis por isso. Há quem cuide apenas da saúde bucal infantil e há quem cuide dos dentes dos adultos, assim como também há especialistas em odontologia estética para deixar o seu sorriso ainda mais bonito. Dentre tantos profissionais, o endodontista - especialista em endodontia - tem seu mérito por cuidar de uma parte fundamental da estrutura dentária: a cavidade pulpar. Para esclarecer algumas questões sobre essa área odontológica, o Sorrisologia bateu um papo com a profissional Sofia Cabaleiro. Confira o que ela tem a dizer sobre esse assunto a seguir!

1. A endodontia

Muito temida pelos pacientes no geral, essa talvez seja uma das áreas mais fundamentais quando o assunto é a saúde dos seus dentes. A endodontia é uma especialidade dentro da odontologia que cuida do coração do dente, que é a polpa dentária, camada mais interna da estrutura dentária. “A endodontia é a parte da odontologia que estuda as doenças e lesões que acometem o tecido pulpar do dente, assim como seus diagnósticos e terapias de tratamento”, define a especialista.
A polpa dentária, por sua vez, fica localizada da dentina até a raiz dos dentes, sendo formada principalmente por nervos e vasos sanguíneos. Por se tratar de um tecido mais complexo e delicado, quando a região é atingida por algum problema, o paciente costuma sentir muita dor e incômodo no local, sendo fundamental buscar a ajuda de um profissional o mais rápido possível.

1.1 Por que é importante cuidar da polpa do dente?

De acordo com Sofia, a polpa é a parte viva do nosso dente. “Quando essa porção do dente é afetada por algum trauma ou agente agressor (como as bactérias da cárie) ela pode entrar em um processo inflamatório muito doloroso chamado de pulpite, a famosa e temida dor de dente”, explica. Além disso, se houver a evolução do processo inflamatório, mesmo que lenta, a especialista alerta que o quadro pode se transformar em uma necrose pulpar. Isso, por sua vez, pode abrir caminho para a proliferação bacteriana dentro dos canais radiculares, o que consequentemente pode acabar desencadeando problemas como os abscessos e edemas na face do paciente.

1.2 Em que casos o endodontista pode ajudar?

Normalmente as pessoas associam a endodontia ao tratamento de canal, muito recomendado em casos mais graves de cárie. Essa associação não está errada, mas esse não é o único cenário em que o endodontista pode ser um bom amigo do seu sorriso. Até mesmo porque, segundo a profissional, quando há relatos de dores espontâneas, de longa duração ou intensas, já ficam claros os sinais de que o tecido pulpar foi afetado e será necessária uma intervenção endodôntica, e isso pode ser provocado por cáries ou não. “Já quando o paciente relata histórico de edema no local com secreção purulenta, este é um indicativo de que algum dente pode ter entrado em necrose pulpar”, alerta.
Além disso, de acordo com a endodontista, quedas e traumas que provocam fraturas extensas também são causas comuns do tratamento endodôntico em adultos e crianças. Portanto, quando a polpa é atingida - seja devido a uma cárie profunda ou por causa de uma fratura -, os dentistas costumam encaminhar o paciente para um especialista da endodontia, que é o profissional mais capacitado para dar início ao tratamento adequado.

1.3 Negligenciar a saúde da polpa pode trazer consequências

Sentir incômodos constantes como sensibilidade ou dor de dente são sinais de que algo não está certo e é altamente recomendado que o paciente procure a ajuda de um profissional se isso estiver acontecendo. Ignorar os sintomas e tentar seguir como se nada estivesse acontecendo pode ser bastante prejudicial para a sua saúde bucal, pois se a polpa estiver infectada e não for tratada corretamente, há um grande risco de perda dentária. Não vale a pena arriscar, né?

2. O tratamento endodôntico

Com técnicas modernas e que trazem mais conforto para o paciente, hoje em dia não há por que temer o tratamento endodôntico, pois o mais importante nesses casos é procurar restabelecer a saúde do elemento dentário. Segundo Sofia, esse tipo de tratamento normalmente é definido após avaliação clínica e radiografia periapical do dente ou da região acometida pela dor. Além disso, outros sintomas da alteração pulpar podem ajudar a identificar a necessidade desse tipo de medida.

2.1 Passo a passo do tratamento de canal

Depois do diagnóstico do especialista, dá-se início ao tratamento de canal. Para entender de uma maneira bastante simples, a endodontista explicou exatamente como esse procedimento acontece com um passo a passo:

1º passo: Primeiramente o paciente será anestesiado e depois, utilizando a caneta de alta rotação (o motorzinho), um acesso será feito no dente até a câmara pulpar. É nesse momento que o profissional consegue localizar a entrada dos canais com auxílio de limas e também inicia-se a limpeza dos condutos com a utilização de agentes químicos que promovem a sanitização dos túbulos e sistema de canais radiculares.
2º passo: Após essa etapa, é a hora de determinar o comprimento da raiz a ser tratada. Para isso existem meios tecnológicos que facilitam muito, o chamado Localizador Apical é capaz de fornecer o comprimento real de trabalho que é fundamental no sucesso do tratamento.
3º passo: Já para a instrumentação dos canais, existem técnicas manuais que consistem em utilizar uma sequência de limas ou técnicas automatizadas que utilizam limas únicas. Nesse caso é a tecnologia a favor do procedimento.
4º passo: Ao fim da instrumentação, a fase seguinte é a obturação dos canais utilizando um tipo de borracha termoplástica que irá vedar o canal e impedir a proliferação de novos microorganismos naquele local.
5º passo: Pronto! Canal finalizado. Agora é hora de pensar na reabilitação do dente.

3. Dúvidas comuns sobre o tratamento de canal

Apesar de a intervenção endodôntica ser bem mais tranquila atualmente, ainda existem muitos pacientes que ficam inseguros quando precisam passar por esse tipo de procedimento. Entender como o procedimento funciona passo a passo pode até ajudar a tranquilizá-los, mas sempre restam algumas dúvidas. Pensando nisso, separamos as quatro mais comuns sobre o assunto para que a endodontista Sofia possa esclarecer.

3.1 O tratamento dói?

De acordo com a especialista, mesmo com a anestesia, existem estágios da inflamação pulpar que precisam de medidas mais drásticas. Nesses casos, é necessário um outro tipo de anestesia para auxiliar, chamada de intrapulpar, e essa sim pode gerar um momento de dor no local. No entanto, a especialista destaca: “É um procedimento rápido e totalmente tolerável”. Além disso, esse tipo de atitude só é necessária em casos realmente mais graves, e a maioria dos tratamentos são bem suportados apenas com o uso de anestésicos locais.

3.2 Qual é o tempo de duração do tratamento?

Com tantos avanços no mundo tecnológico, hoje vários procedimentos não demandam muito tempo para serem finalizados. Entretanto, no caso do tratamento de canal, o tempo de duração vai depender das particularidades de cada caso. “O tempo e número de sessões vão variar de acordo com a complexidade do dente, a técnica empregada e a habilidade do profissional”, conta Sofia.

3.3 Há contraindicações?

Assim como em qualquer procedimento que interfira na saúde bucal, o tratamento de canal tem algumas contraindicações. A especialista esclarece quais são eles: “Dentes muito comprometidos, pacientes com algum histórico de saúde desfavorável, suspeitas de trincas, são alguns dos motivos que podem contra indicar o tratamento”. Portanto, é preciso estar em um bom estado de saúde no geral para estar apto para realizar essa intervenção - ou seja, se você sofre com problemas periodontais, provavelmente não poderá para fazer o tratamento de canal.

3.4 Como é o processo de recuperação?

Após a realização do tratamento endodôntico, o processo de recuperação costuma ser bastante tranquilo e não precisa de cuidados tão específicos, como acontece quando os sisos são extraídos. Pelo contrário: na maioria dos casos, o paciente pode seguir sua rotina como de costume. Porém, de acordo com Sofia, alguns pacientes relatam dor por 2 a 7 dias - o que é facilmente controlado por medicamentos analgésicos e anti inflamatórios receitados por um especialista.
“O mais importante de tudo é prevenir para que não haja necessidade desse tipo de intervenção. Por isso, a escovação após as refeições, o fio dental e, sobretudo, as idas regulares ao dentista podem muitas vezes evitar esses problemas!”, finaliza.

4. Prevenir é a melhor solução

Para não precisar passar por uma intervenção endodôntica, a melhor forma é se prevenindo e cuidando da saúde dos seus dentes! Acidentes e traumas podem acontecer de maneira imprevisível, mas quando a polpa é afetada por causa de algum probleminha bucal, como a cárie, não dá para fugir da culpa. Por isso, o mais recomendado é visitar o seu dentista a cada 6 meses ou pelo menos uma vez por ano, já que, se houver algo de errado, ele é capaz de realizar um diagnóstico precoce e tratar a estrutura dentária antes que o problema evolua e alcance a polpa. Além disso, vale a pena pedir orientações sobre o processo de higiene bucal para você se certificar de que você está escovando os dentes da maneira correta.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Sofia Cabaleiro - Endodontista
Belo Horizonte, MG
CRO-MG: 34919

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