A gravidez é uma fase ímpar da vida da mulher! Porém, com a parte hormonal modificada pela gestação, pode haver um aumento da ação vasodilatadora, processo de dilatação dos vasos sanguíneos no corpo todo. Isso pode contribuir para o aparecimento de algumas patologias bucais. A Dentista Mariana Benicio explica os principais motivos do aumento do risco de doenças e dá dicas de como se prevenir.

Por que a grávida fica mais exposta aos riscos de doenças bucais?

Como há alteração da ação vasodilatadora de todo o corpo, a gengiva não fica de fora desse grupo. Desta forma, há o aumento da propensão de doenças bucais. Porém, o que é risco para um paciente normal, também é para as gestantes, e a placa bacteriana continua sendo uma grande inimiga de todos! Contudo, a gestante que tem uma boa higiene bucal certamente não observará os efeitos relatados por muitas grávidas, como sangramento e inflamação gengival. “Se a paciente apresentar uma higienização bucal ineficiente, essa é a hora de pensar em realizar um pré-natal odontológico para que ela seja orientada e não tenha nenhum desses efeitos”, comenta Mariana.

Quais motivos influenciam esses quadros de doenças?

Um dos grandes motivos é a falta de higiene porque, nesse momento, as mulheres grávidas relatam sentir muito enjoo ao escovar os dentes. Em alguns casos, elas decidem comer alimentos cítricos para uma melhora do quadro e acabam passando o dia beliscando diversas guloseimas. Outro grande inimigo é a alta ingestão de doces associados à falta de higienização bucal. A profissional previne. “ Se a falta de higienização persistir junto com o grande consumo desses alimentos, a gestante pode ter graves problemas gengivais e de cáries”.

Quais doenças bucais podem trazer problemas para a gravidez?

Quando a gestante não realiza o check-up antes de engravidar , ela pode acabar sofrendo com dores de dentes causadas por cáries, por vezes já existentes. Doenças como a gengivite e a periodontite também precisam ser tratadas já que, acabam liberando a prostaglandina, compostos endógenos derivados de ácidos graxos no sangue, que está ligada diretamente a indução do parto. Já em casos de Pulpite, inflamação da polpa do dente, o atendimento se torna mais importante do que o risco do procedimento, pois existe a liberação de adrenalina endógena que pode desencadear um parto prematuro. Mariana deixa claro que isso são apenas possibilidades e que o quadro varia de uma gestante para outra. “Não podemos afirmar que uma gestante com gengivite vai ter um parto prematuro, pois o que geralmente acontece para um parto ser antes da hora é a junção de vários fatores”, comenta a dentista.

Como a grávida pode se cuidar para evitar essas doenças?

A melhor maneira para evitar problemas durante essa fase é realizando o pré-natal odontológico. É importante ressaltar que o sistema público e particular da gestante dão a ela o direito de fazer esse acompanhamento. O ideal é que ela vá pelo menos três vezes ao odontopediatra, cada consulta em um trimestre da gravidez, para o acompanhamento dessa fase. Contudo, não é necessário que a gestante deixe de frequentar o dentista que sempre a acompanhou. “É importante lembrar a esses profissionais que se for necessário o uso de anestesia em algum tratamento, ela deve ser administrada com o uso de vasoconstritores para evitar que o bebê receba uma grande quantidade de anestésico”, finaliza.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Mariana Rangel Benicio - Especialista em Odontopediatria e Mestre e Especialista em Ortodontia
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 27408