Tem dias que ela é a sua maior preocupação e, muitas das vezes, você não consegue ter uma rotina saudável por causa desse incômodo. De fato, a dor de cabeça, conhecida como cefaleia, é um problema que atinge milhares de pessoas. De acordo com a Sociedade Internacional de Cefaleia, existem mais de 150 tipos diferentes de dores de cabeça e estima-se que quase 90% da população já sofreu algum dia desse mal. Essa dorzinha pode ter vários significados, como estresse ou problemas neurológicos. Mas será que o desconforto pode estar relacionado com doenças que atingem a nossa saúde bucal? A especialista em dor orofacial Rhianna Barreto esclarece.

Existe essa relação?

Todo mundo tem de dor de cabeça, mas, acredite, cada dor tem sua origem e real significado. De acordo com a dentista, esse incômodo acaba sendo consequência de uma agressão ao organismo e geralmente ultrapassam os limites de sua localização anatômica. Isso significa que ela pode estar relacionada com problemas que afetam qualquer parte do nosso corpo, inclusive o nosso sorriso.

As chamadas dores de cabeça secundárias orofaciais, podem ser provenientes de dentes com pulpite, disfunção temporomandibular, bruxismo, apertamento dentário, infecções e, raramente, com a periodontite. Outros motivos são a odontalgia atípica (uma dor de dente frequente, muitas vezes, sem uma causa identificada) e tumores na face. Apesar de tantas causas, as disfunções temporomandibulares (DTMs) são consideradas as mais comuns desse problema.

Como saber se tem ligação com a boca?

De qualquer maneira, quando esse incômodo for constante, é importante ter um diagnóstico e acompanhamento diferenciado. Isso deve ser feito pelo primeiro profissional que lida com o caso, que costuma ser um neurologista ou clínico geral. “É preciso realizar um exame clínico e anamnese minuciosos para identificar a origem do problema e estabelecer um tratamento, ou encaminhar para o especialista”, explica. Também é necessário avaliar dentes, músculos e articulações para ver se a cefaleia pode ter alguma dessas origens.

Diante desse cenário, na maioria das vezes, o paciente deve ter um atendimento multidisciplinar, ou seja, com ajuda de outros profissionais da medicina e odontologia. “É importante que o dentista especializado em dor orofacial tenha conhecimentos básicos dos diversos tipos de cefaleia para fazer o diagnóstico diferenciado”, garante a dentista.

Como amenizar essa dor?

Se a cefaleia está acontecendo por causa de uma pulpite, por exemplo, o incômodo termina quando o dente inflamado recebe os devidos cuidados. O mesmo acontece com as dores de cabeça causados pelos reflexos da DTM. Praticando a terapia corretamente, todo desconforto acaba. “O que deve ser feito é procurar imediatamente um profissional especializado, médico neurologista cefaliatra ou dentista especialista em Dor orofacial para iniciar o tratamento”, finaliza.