O número de pessoas vegetarianas cresce cada vez mais, e a tendência é só aumentar. No entanto, muito se questiona se esse tipo de alimentação pode apresentar algum risco à saúde do organismo de uma forma geral, e até mesmo na região bucal. De acordo com uma publicação recente na revista Journal of Clinical and Diagnostic Research (National Library of Medicine), pode-se observar que a presença de Candida, responsável pela candidíase, em vegetarianos foi de 68,5% comparada com 40,7% em não vegetarianos, conforme o estomatologista Daniel Cohen destaca. “É importante lembrar que não retrata doença, apenas a presença do microorganismo que é comensal, mas aparentemente vegetarianos podem apresentar maior risco de desenvolvimento da doença”, conta. Já sobre a saúde bucal, o especialista esclarece algumas questões e reforça que alimentos podem ser consumidos para não prejudicar o universo bucal.

Dieta vegetariana pode prejudicar a saúde bucal?

A dieta não necessariamente vai prejudicar a saúde bucal, mas é importante equilibrar o que se come, de forma que sejam consumidos todos os ingredientes necessários para uma boa saúde do organismo. A deficiência de vitamina B12 muito presente em peixes, por exemplo, pode vir a acontecer, propiciando o desenvolvimento de quadros de estomatite aftosa recorrente (aftas). “Além disso, deficiência de ferro que pode fazer falta para o metabolismo ósseo (não somente dos maxilares), e provocar a síndrome de Plummer Vinson ou Peterson Kelly, que pode levar ao desenvolvimento de câncer no dorso – parte de cima – da língua”, conta. “A visita regular ao dentista minimiza qualquer risco como este”.

O que não não pode faltar no cardápio vegetariano?

De acordo com Daniel, os principais alimentos com fontes de ferro não heme para vegetarianos são as leguminosas, as castanhas, as sementes e as frutas secas, com destaque para lentilhas, grãos-de-bico, soja, castanha de caju e ameixa. “Além disso, segundo o nutricionista George Guimarães, especialista em dietas vegetarianas, os vegetais verde-escuros (brócolis, couve e quiabo) são excelentes fontes de cálcio e estão acompanhados de uma série de outros nutrientes importantes para o metabolismo do cálcio, como o potássio e a vitamina K”, conta.

Frutas secas (figo, damasco, uva-passa), castanhas e sementes também são outras fontes de vitamina K. Já para absorver cálcio, pode-se indicar também as leguminosas (soja, tofu, lentilha, ervilha, grão-de-bico, feijões). O especialista ainda complementa: “Da mesma forma, podemos citar até doze alimentos ricos em proteínas que não são de origem animal: batatas, amêndoas, castanha de caju, quinoa, aveia crua em flocos, lentilha, grão de bico, chia pistache, goiaba, couve e aspargos”.

Esse tipo de dieta pode aumentar as chances de cáries?

Apesar dos boatos de que quem é vegetariano tem maior tendência a ter cárie, o especialista afirma que isso é não é verdade. Muito pelo contrário, já que, de acordo com ele, frutas e vegetais fibrosos - como a maçã e a pera - apresentam a capacidade de auxiliar na limpeza da boca (sem substituir a escovação), pois combatem o acúmulo de biofilme bacteriano (placa). “Inclusive, o consumo de frutas e legumes diariamente ao menos em 5 porções tem potencial para evitar o câncer de boca. Por outro lado, o consumo de carne, especialmente embutidos, aumenta o risco de câncer colorretal”, acrescenta.

Manter rotina de higiene bucal é o mais importante

Independente das escolhas alimentares, é preciso manter o cuidado com os dentes e com a higiene bucal. Por isso, o estomatologista orienta que para evitar o risco de cárie dentária ou doença periodontal, o melhor a se fazer é evitar consumo de açúcar refinado ou alimentos ricos no mesmo e realizar higiene bucal adequada com escovação dentária e uso do fio dental diariamente, ao menos três vezes ao dia. “Escovação não é feita com uso de força, mas da forma correta. Além do mais, é importante consultar frequentemente um cirurgião-dentista que poderá realizar uma instrução de higiene oral e garantir a saúde bucal adequada do paciente”, destaca o profissional.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Daniel Cohen Goldemberg - PhD. Estomatologia e Patologia Bucal
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 29267