Adultos já estão quase acostumados: basta exagerar na alimentação cítrica, por exemplo, para as aftas aparecem e provocarem um incômodo daqueles por alguns dias. Mas se essas feridinhas aparecem durante a infância, você sabe o que significa? O estomatologista Daniel Cohen conta o que essa lesão pode dizer sobre a saúde dos mais novos.

Os pequenos não estão livres do problema

Sim, as aftas podem surgir em crianças. “As chances são grandes, especialmente a partir dos 10 anos de idade”, explica o dentista. Segundo ele, apesar de serem menos comuns antes da primeira década de vida, caso as feridas apareçam, é bom monitorar de perto. “Isso porque elas podem representar apenas uma disfunção benigna do nosso sistema imune ou outras doenças, caso mais sinais locais e sistêmicos sejam observados”.

Possíveis causas

Em geral, esses machucadinhos dentro da boca são um indício de baixa imunidade. Além disso, a alimentação também influencia no surgimento da afta, ainda mais se o cardápio diário envolve abacaxi, kiwi, limão e tomate em grandes quantidades, por exemplo. Ainda assim, Daniel chama a atenção para outras prováveis causas:

- Deficiência de ferro, ácido fólico (vitamina B9), vitamina B6, vitamina B12, e zinco

- Histórico familiar

- Estresse físico ou emocional

- Distúrbios gastrintestinais

Fique de olho

Existem duas enfermidades bem distintas que podem apresentar a afta como sintoma: o herpes e a doença mão-pé-boca, mais comum na infância, e que se caracteriza por feridas avermelhadas nas plantas dos pés, mãos e cavidade oral.

“As principais preocupações que devem ser tomadas são para exclusão dessas duas ameaças”, ressalta o especialista. O diagnóstico correto, no entanto, só pode ser feito pelo estomatologista, que é quem saberá diferenciar as causas por meio de um questionário de saúde minucioso, além de exames clínicos intraorais e extraorais.

Como funciona o tratamento

No caso das lesões comuns em crianças, se os sintomas forem significativos e estiverem prejudicando o bem-estar e a alimentação, Cohen indicada a terapia feita com corticóide sistêmico. Agora, nos outros tipos, o tratamento deve ser pensado com mais calma e sempre respeitando a causa. De qualquer maneira, a recomendação é buscar a opinião de quem entende do assunto para proteger o sorriso do seu filho da melhor maneira possível.