Você já deve ter ouvido falar no cigarro eletrônico e como ele chegou no mercado para “substituir” o cigarro tradicional, como se ele fosse menos prejudicial e pudesse ser um recurso para ajudar aqueles que tentam parar de fumar. Criado em 2003 pelo farmacêutico chinês Hon Lik, o periodontista Leonardo Costa conta que o dispositivo eletrônico muitas vezes possuem uma luz LED para simular as chamas de um cigarro comum. Mas será que é só nisso que eles se parecem? Ou será que os malefícios podem ser os mesmos, mas disfarçados? Confira o que o profissional tem a dizer sobre o assunto!

Qual a diferença entre o cigarro eletrônico e o tradicional?

O cigarro eletrônico pode se apresentar de diversas formas. Em alguns casos eles se assemelham aos tradicionais, mas também podem vir na forma de charutos, cachimbos, lanternas ou de um pequeno maço de cigarros com tubo de ar. Contudo, a maneira como ele funciona é o principal fator que os diferencia dos cigarros tradicionais, já que no cigarro comum há o processo de combustão, onde ocorre a queima do fumo e diversas substâncias são liberadas. Isso é o fator mais preocupante, já que facilita a inalação e absorção da fumaça tanto pelo fumante e quanto pelas pessoas ao seu redor. “Já o cigarro eletrônico funciona com baterias e sem a necessidade da queima. Ele é uma espécie de dispositivo vaporizador de aromas, sabores e outros produtos químicos, como álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina”, alerta o especialista. Entretanto, é importante destacar que ambos induzem o fumante à dependência química, principalmente devido à nicotina presente.

Cigarro eletrônico traz os mesmos prejuízos que o cigarro tradicional

Uma vez que o consumo de nicotina pelo cigarro eletrônico pode ser igual ou até maior do que o pelo cigarro tradicional, as chances de aumentar a dependência química são altas. Mas isso está longe de ser o único problema que o cigarro pode provocar, já que além de tudo, esse hábito também é responsável por trazer inúmeros problemas para a saúde do indivíduo. “O tabagismo é uma doença que tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, dentre elas vários tipos de câncer (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia), doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses)”, destaca Leonardo. E não para por aí, já que outras patologias que também podem estar relacionadas ao tabagismo são: úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; impotência sexual no homem; infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez. É assustador a quantidade de probleminhas que algo tão pequeno pode causar, né?

Como o cigarro pode afetar sua saúde bucal

Além das diversas doenças que o cigarro pode causar em todo o corpo do indivíduo, é importante ter uma grande atenção também à saúde bucal. A cavidade oral é a porta de entrada para todas as substâncias prejudiciais do cigarro e, portanto, é uma parte do corpo que acaba sofrendo bastante quando a pessoa tem o hábito de fumar. “Entre as doenças provocadas pelo tabaco, as principais são: Halitose (mau hálito); câncer bucal (cânceres de lábio e de cavidade oral – mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca); e doença periodontal (processo inflamatório crônico da gengiva e/ou dos tecidos de suporte dos dentes), escurecimento dos dentes, dificulta cicatrização e diminui a eficiência do sistema imunológico, tornando o fumante mais frágil às bactérias, vírus e fungos, ressecamento das mucosas da boca, pois inibe a produção de saliva”, enumera o especialista.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Leonardo Costa - Periodontia
Salvador, BA
CRO-BA: 5935