Um belo dia seu dentista detecta que você tem cárie. Tudo bem. Sem motivos para pânico, afinal, seu dentista é de confiança e você está disposto a fazer o que ele sugerir. Ele comenta a necessidade de fazer restaurações. Você faz a tal restauração e pronto, resolvido. Passam-se alguns meses sem que você retorne ao consultório odontológico. Será que realmente você não precisa se preocupar mais com as cáries? "A cárie é a consequência de todo um processo químico e biológico que acontece na superfície dos nossos dentes, geralmente localizado na linha entre a gengiva e dente, entre os dentes e na superfície que mastigamos”. Quem explica é a profissional de Odontologia Thalita Costa.

Tudo começa na alimentação

Quando nos alimentamos e não escovamos os dentes, as bactérias que vivem na nossa boca utilizam os carboidratos desse alimento para crescer em número, formando assim a chamada placa bacteriana, aquela massinha branca que sai no fio dental. “Essa placa não deixa a nossa saliva entrar em contato com os dentes, afinal, tem uma massa lá impedindo”. Daí começa o problema, pois, a saliva funciona como uma proteção para nosso universo bucal “É um excelente lubrificante que além de manter nossa boca úmida, ela libera o famoso flúor (ingerido da água) que age nos dentes impedindo que a cárie se desenvolva facilmente”, diz.

Por que eu devo me preocupar tanto com essa placa?

A placa é formada por camadas de bactérias, fungos e protozoários que vivem na nossa boca. Já deu pra perceber que coisa boa não é, certo? "Essas bactérias fermentam e liberam um ácido que desmineraliza a superfície do esmalte (primeira camada) do nosso dente, que é altamente mineralizado. Pronto, você tem início de uma cárie”, explica Thalita. E por que chamamos de início? Porque o problema é maior do que você imagina e a cárie possui estágios mais avançados e perigosos.

"Quando essa desmineralização vai evoluindo por conta da placa, o esmalte se dissolve e é perdido, e então as bactérias atingem a dentina (segunda camada do dente), que é altamente rica em matéria orgânica, tem muita água em sua composição e, por isso, se desmineraliza mais rápido, se dissolvendo com mais facilidade, e assim a cárie vai progredindo. Se a cárie não for tratada, ela atinge a terceira camada, a polpa. Aí o dente já está completamente destruído”.

Quais os prejuízos que uma cárie pode trazer?

A dentina (a segunda camada do dente) tem contato íntimo com a polpa, que é altamente inervada. “A dor é seu dente pedindo socorro para essa infecção não chegar à polpa e ao osso. Se a cárie não for tratada, além da possibilidade de dor, ela vai evoluindo para a inflamação, a morte da polpa e, no pior dos casos, os abcessos (onde as bactérias podem chegar à circulação e causar problemas no organismo)”.

A cárie pode causar comprometimento da saúde e estética do dente, dificuldade de mastigação e problemas na fala. O dente oposto pode descer e, por fim, há perda da autoestima. Impressionante o que uma cárie pode fazer, não é? Os cuidados devem ser diários, além de um bom controle com o seu dentista para sempre reavaliar seus dentes e intervir quando for necessário. “Só assim você evita o prejuízo ou que este seja o menor possível. Então, escove os dentes, passe o fio dental regularmente e vá rever o seu dentista”, finaliza.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Thalita Costa - Cirurgiã-dentista
Rio de Janeiro-RJ
CRO-SP: 113895