Todo mundo já ouviu falar de cárie. É aquela famosa infecção dos dentes causada por bactérias e que causa muita dor - levando diversas pessoas aos consultórios. No entanto, o que muitos não sabem é que existem tipos de cáries, e como cada uma delas deve ser devidamente tratada. O patologista bucal Daniel Cohen explica e tira dúvidas sobre o assunto.

O que é a cárie?

“A doença cárie se refere ao acometimento da estrutura dentária sã por uma infecção bacteriana que destrói os tecidos duros que compõem o mesmo,” define o dentista. A cárie é uma doença multifatorial, ou seja, depende de diferentes fatores para progredir.
Geralmente, uma dieta rica em carboidratos tende a deixar restos de alimentos na boca. Essas sobras servem de consumo para as bactérias, principalmente as cariogênicas (corroem o esmalte dentário). Uma dieta desse tipo, a suscetibilidade individual e as presenças das bactérias cariogênicas são os elementos da denominada tríade de Keyes, que provoca a lesão da cárie.

Qual a diferença entre os três tipos de cárie?

- coronária: é o tipo mais comum, podendo afetar crianças e adultos. Normalmente, localiza-se nas regiões de mastigação, que são a superfície, laterais de contatos entre os dentes.

- radicular: por conta de seu local de atuação, é mais comum em adultos e idosos. Isto porque, com o passar dos anos, a gengiva vai se retraindo, o que expõe as raízes dos dentes. Esta superfície não possui o esmalte para a proteção da dentina (como nas coroas), fazendo com que a cárie a deteriore mais rapidamente.

- recorrente: como seu nome já indica, é o tipo que aparece novamente no mesmo lugar. Ocorre em locais com grande acúmulo de placa bacteriana, como por exemplo em volta das áreas de restaurações e coroas existentes.

“Nada é melhor do que nossa estrutura dentária hígida e saudável”, completa Daniel.

Como ela atua nos dentes?

O dente é um elemento calcificado e a cárie desmineraliza essa estrutura dentária, cada tipo atuando de uma maneira. Por exemplo, a coronária é responsável por corroer o esmalte dentário, ou, no caso da radicular, o cemento (estrutura que recobre a dentina das raízes dos dentes). Após esse processo, a cárie atinge a dentina (logo abaixo do esmalte) que reveste a coroa dos dentes hígidos, os sadios. Ou ainda, ela pode chegar ao cemento, como comentado anteriormente.

Quais são as principais formas de se prevenir da cárie?

Não há muito mistério! A principal forma de se prevenir é mantendo a higiene bucal. A escovação após as refeições do dia e utilização do fio dental diariamente são hábitos importantes. Além disso, uma dieta controlada também vai contribuir. Não exagere nos carboidratos e evite consumir muito açúcar, principalmente à noite. É nesse período do dia que o fluxo salivar fica mais baixo (nível basal), o que afeta a capacidade de tamponamento da saliva.

Dessa forma, mesmo em um dia muito corrido que não foi possível tirar cinco minutos para cuidar dos dentes, nunca deixe de fazer a escovação antes de dormir. “Assim evitamos que aquele substrato seja fermentado durante toda a noite (açúcar que serve de alimento para as bactérias formando aquela "massinha branca", biofilme bacteriano) levando a potencial desmineralização das estruturas dentárias”, ressalta o dentista.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Daniel Cohen Goldemberg - PhD. Estomatologia e Patologia Bucal
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 29267