Bastante comum, o bruxismo pode afetar diversas pessoas de qualquer faixa etária, acontecendo de forma consciente ou inconsciente. As causas podem ser diversas, mas normalmente ela está relacionada a fatores do nosso dia a dia, como o estresse, ansiedade e até mesmo a exaustão provocada por esse acúmulo de sentimentos e sensações. Quando essa patologia começa a fazer parte da vida do paciente, no entanto, deve ser tratada para evitar que a qualidade de vida do paciente se perca ainda mais. A cirurgiã-dentista Renata Paraguassu conversou com o Sorrisologia a respeito do assunto e esclareceu algumas dúvidas.

Quais são os principais sintomas do bruxismo?

O bruxismo é uma patologia caracterizada pela movimentação repetitiva dos músculos que ocasiona no ato de ranger e apertar os dentes, sendo involuntária e parafuncional. Muitas pessoas sofrem com esse problema e às vezes nem sabem disso, já que em casos de bruxismo noturno a pessoa está inconsciente. Portanto, é importante saber quais são os sintomas dessa condição para procurar uma ajuda profissional. “O quadro clínico pode incorrer em alterações na musculatura mastigatória, fadiga, mialgia, miosite, assimetria na atividade muscular e comprometimento das funções. Além disso, desconforto na musculatura oral ao acordar, dentes desgastados e dores na articulação temporo mandibular também são comuns”, indica a especialista.

Diferença entre bruxismo diurno e noturno

Como o nome já indica, o bruxismo diurno acontece durante o dia, quando o indivíduo encontra-se acordado e consciente. Já o noturno ocorre no período da noite, quando o paciente adormece e fica inconsciente. A dentista Renata dá mais detalhes de cada um: “No bruxismo noturno, há uma alternância entre estados de vigília e sono e consequentemente alternância de excitabilidade oral motora. No diurno há uma contração semi voluntária da musculatura oral, sendo caracterizada mais pelo apertamento, enquanto no noturno observa-se com mais frequência o ranger de dentes”.

O bruxismo pode afetar a qualidade de vida do paciente?

Por se tratar de uma condição que altera significativamente a qualidade de sono, predispõe disfunções nas articulações temporomandibulares, fraturas de restaurações dentárias e dor no rosto, a especialista afirma que essa patologia pode sim afetar a qualidade de vida. “O ideal é sempre buscar hábitos saudáveis e uma vida em equilíbrio para evitar a ocorrência desta condição. Inclusive já existem estudos associando o consumo de álcool e tabaco a uma maior propensão a desenvolver o quadro.”

Estresse, ansiedade e depressão podem estar relacionados ao problema

Segundo Renata, o bruxismo está associado ao funcionamento dos neurotransmissores no sistema nervoso central, principalmente pelo sistema dopaminérgico. Consequentemente, o uso de qualquer substância que afete a atuação desses neurotransmissores, como alguns antidepressivos, ou até mesmo descarga fisiológica (gatilho de estresse), pode favorecer a ocorrência do bruxismo. Logo, cuidados com a saúde mental são tão importantes quanto os cuidados com a saúde bucal.

Tratamento multidisciplinar pode ajudar

Como o bruxismo muitas vezes pode estar relacionado a fatores psicológicos como o estresse e a ansiedade, recomenda-se o tratamento multiprofissional, envolvendo dentista, psicólogo e psiquiatra. Já no âmbito odontológico, a especialista explica que frequentemente é indicado o uso de placas oclusais, que ajudam na diminuição da atividade muscular durante o sono e previnem os desgastes nas faces dos dentes.

Este artigo tem a contribuição da especialista:
Renata Paraguassu - Cirurgiã-dentista da Clínica Vivah Odonto
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 24711