O bruxismo é associado frequentemente ao ranger de dentes involuntário durante o sono, mas o que muitos não sabem é que existe um outro tipo de bruxismo que pode se manifestar durante o estado consciente do paciente, ou seja, quando o mesmo se encontra acordado. Para esclarecer alguns detalhes sobre essa condição, conversamos com o dentista Alexandre César.

Entenda o que é bruxismo de vigília

De acordo com o especialista, o bruxismo de vigília - também conhecido como bruxismo diurno - é considerado um hábito parafuncional oral, caracterizado clinicamente por apertamento dentário durante a vigília, ou seja, durante o período “acordado”. Além disso, essa condição é associada a contrações prolongadas dos músculos da mastigação, fazendo com que o paciente permaneça por longos períodos apertando ou encostando os dentes. “Isso acontece principalmente em momentos de tensão, estresse, ou até mesmo em momentos de concentração; lendo um livro, estudando, usando o computador ou assistindo TV”, acrescenta.

Outro ponto ressaltado pelo dentista é que o bruxismo diurno também pode aparecer como efeito colateral de algumas medicações, e, sobretudo, as utilizadas no tratamento de ansiedade, mal de Parkinson e demais problemas motores.

Como identificar a condição?

Quando nos conhecemos, fica muito mais fácil perceber quando há algo de errado com o nosso corpo e nossa saúde. Para identificar o bruxismo de vigília, isso não é diferente, já que muitas vezes o diagnóstico acaba partindo do próprio paciente. Já no bruxismo do sono, além de quem sofre com o incômodo, a pessoa que dorme ao seu lado também pode ajudar no processo de identificação. “São usados questionários e diários para avaliar a presença e frequência dos eventos de bruxismo, seja do sono como o da vigília, bem como a presença de possíveis fatores secundários”, explica o especialista.

Inclusive você sabia que já existem até mesmo aplicativos para celular e tablet que podem auxiliar no diagnóstico e controle do bruxismo diurno?

Saiba quais são os fatores de risco

É comum que algumas situações do dia a dia afetem o lado emocional - mais até do que imaginamos. O problema é que fatores como ansiedade, medo, perfeccionismo, agressividade, raiva e frustração são vistos como fatores de risco para o desencadeamento de hábitos como o apertamento dentário. “Estes contatos oclusais não funcionais levam a um aumento da atividade muscular (principalmente masseter e temporal), provocando hipertonia e mialgia, um dos principais fatores de dor orofacial”, conta. Além disso, ele alega que uma abordagem terapêutica pode ser a mais indicada para o controle desta parafunção.

A diferença entre bruxismo noturno e diurno

Como o nome já indica, a diferença entre os tipos de bruxismo está no período em que ele ocorre, podendo ser durante o sono (bruxismo noturno) ou quando estamos acordados (vigília ou diurno). Conforme o especialista explica, o bruxismo do sono é considerado um distúrbio em que é comum o ranger de dentes - o que não ocorre durante toda a noite, mas costuma acontecer principalmente nas fases de sono mais leves. Este tipo de bruxismo pode ser primário, sem estar relacionado a nenhum outro fator, ou secundário, ocasionado pelo uso de algumas medicações. O dentista ainda destaca que fatores emocionais não são a causa desse quadro específico, mas podem aumentar sua frequência.

Tratamento além do dentista

É importante ter em mente que o bruxismo não possui cura, mas com o tratamento adequado é possível tanto tratar as consequências na arcada dentária do paciente, como a origem do problema. “O tratamento dentário vai corrigir o desgaste e as trincas que aparecem, considerando que, em geral, o canino – por ser maior e receber mais impacto – será o mais afetado”, indica o especialista. Ainda sobre a parte odontológica, ele também fala sobre as chamadas “placas de bruxismo”, que desempenham um papel de proteção e podem ter a função de relaxamento muscular, evitando o impacto constante.


Entretanto, além do dentista, é necessário o envolvimento de outros especialistas também. Bem como o próprio profissional indica: “É um tratamento multidisciplinar porque envolve a participação de um psicólogo para entender o que leva o paciente ao bruxismo, um médico psiquiatra, que muitas vezes precisa lançar mão de certas medicações e, algumas vezes, também o nutricionista já que há alimentos que favorecem um comportamento mais ansioso, que leva ao bruxismo”.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Alexandre César - Dentista especializado em Implantodontia e Dentística Restauradora
São Paulo, SP
CRO-SP: 52261