Vai passar por uma cirurgia e ainda não sabe por qual tipo de anestesia optar? Mas, espera um momento. Você sabia que anestesia é diferente de sedação e que, dentro da odontologia, a anestesia geral é utilizada apenas em cirurgias muito longas, como a ortognática? Pensando nisso, o Sorrisologia conversou com a cirurgiã-dentista Débora Teixeira, que comentou um pouco mais sobre as diferenças entre as anestesias. Confira!

Conheça os vários tipos de anestesia usados na odontologia

A anestesia é a suspensão geral ou parcial da sensibilidade, induzida por um agente anestésico. Segundo Débora, a anestesia pode ser geral, que promove inconsciência completa, abolição da dor (analgesia/anestesia) e relaxamento total do paciente. “Ela também pode ser local, quando apenas uma ou mais regiões são anestesiadas, neste caso não há perda da consciência”, explica a cirurgiã-dentista.

Olhando para a odontologia, Débora explica que existem várias categorias de anestésicos e técnicas anestésicas, que são administrados conforme as características de cada paciente e do seu quadro clínico. “Os anestésicos se dividem em dois grupos, os ésteres e as amidas. A lidocaína, que é do grupo das amidas, é o anestésico mais utilizado em todo o mundo e tem por características principais a sua ação vasodilatadora e anestésica rápida e sua duração é média/intermediária”, explica ao concluir: “As técnicas anestésicas, por sua vez, são divididas em dois grupos: as maxilares (infiltrativa e bloqueio regional) e as mandibulares (bloqueio regional, bloqueio do nervo mentoniano, bloqueio de Gow-Gates e bloqueio de Vazirani-Akinosi)”.

Anestesia e sedação não são a mesma coisa

Como já dito, a anestesia é a suspensão geral ou parcial da sensibilidade, induzida por um agente anestésico. A sedação, no entanto, é uma técnica que permite a diminuição do nível de consciência do paciente, não afetando sua capacidade de responder a estímulos físicos ou a comandos verbais e nem sua habilidade de respirar. A profissional explica também que a sedação é indicada principalmente nos casos em que os pacientes apresentam quadros de ansiedade e medo.

Débora esclarece também que, na odontologia, o método de sedação mais utilizado é a sedação mínima, onde o paciente não perde sua consciência, mas tem apenas esses níveis diminuídos, sendo também chamada de sedação consciente. “Existem três tipos de sedação usados na odontologia: a sedação mínima, feita por via oral com benzodiazepínicos, a sedação mínima pela técnica de inalação da mistura do óxido nitroso e o oxigênio e a sedação mínima com fitoterápicos, com a planta herbácea valeriana officinalis”, explica a cirurgiã-dentista. Entretanto, Débora indica: “Apesar de todas essas características, é relevante frisar que a sedação não substitui a anestesia, mas a complementa, elevando o limiar de percepção à dor”.

Entenda mais sobre a anestesia geral

Como um todo, a anestesia geral é muito temida pela população, porém, essa má fama é bastante injusta. Segundo Débora, ao contrário do que muitos pensam, os riscos de um paciente vir a óbito durante a cirurgia por causa da anestesia são raros, principalmente nos casos em que o paciente é saudável e a cirurgia não for complexa. “Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves e preexistentes em estágio avançados, como problemas cardíacos, renais, hepáticos, pulmonares ou por complicações derivadas do próprio procedimento cirúrgico, como hemorragias, falência ou lesões dos órgãos vitais”, explica. Débora destaca também que a anestesia geral é um procedimento complexo, e só deverá ser feito por um profissional qualificado e preparado e em ambiente hospitalar.

“A anestesia geral é administrada em quatro fases, a pré-medicação, a indução, a manutenção e a recuperação. Em todas essas fases, os medicamentos administrados são totalmente seguros”, esclarece a cirurgiã-dentista, que explica: “A anestesia geral também é utilizada na odontologia em pacientes que irão se submeter a procedimentos cirúrgicos invasivos ou demorados, como cirurgia ortognática, pacientes incapacitados físicos e/ou mentalmente e pacientes com fobias ao dentista”.

Anestesia pode gerar reação alérgica?

Débora explica que a alergia verdadeira, documentada e reproduzível a anestésicos locais utilizados em odontologia, é tão raro que pode-se dizer que é inexistente. “Alergia a epinefrina não existe. Avaliando seriamente, a maioria das descrições de situações que são alegadas como alergia é determinada por ocorrências de reações psicogênicas (lipotimia, taquicardia) ou efeitos colaterais associados a droga”, esclarece a cirurgiã-dentista, que complementa: “O que pode ocorrer são complicações sistêmicas causadas pela superdosagem de anestésico e sintomas como apreensão, desorientação, atividade muscular involuntária localizada, fala arrastada, tremor, euforia, nistagmo e sudorese”. Além disso, gosto metálico na boca, borramento da visão, distúrbios auditivos, perda de consciência, ansiedade, palidez, dificuldade respiratória e palpitações também são sintomas possíveis.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Débora Teixeira - Cirurgiã-dentista especializada em odontologia hospitalar
Nova Iguaçu - RJ
CRO-RJ 46583