As aftas são feridinhas que surgem no interior da boca e podem ser muito inconvenientes. Além de causar certa dor, elas atrapalham em funções importantes como a alimentação e a fala, trazendo prejuízos para a saúde e também para a vida social e profissional. Dependendo do grau da dor, pode se tornar impossível se comunicar bem em uma reunião ou apresentação importante, por exemplo. O especialista Daniel Cohen conversou com o Sorrisologia e nos ajudou a entender melhor essa relação.

As causas para o surgimento da afta podem ser variadas

Para muita gente é normal apresentar essas feridinhas depois de comer alimentos mais ácidos, como o abacaxi, por exemplo. Isso acontece devido a uma hipersensibilidade que pode ocorrer com esses alimentos ou mesmo com componentes químicos. “No entanto, a maioria dos casos de ulceração aftosa recorrente são idiopáticos, ou seja, sem causa definida”, afirma Daniel. Além disso, lesões como essa podem surgir como sinais de certas doenças, como deficiência de ferro, vitamina B2 e B9, e infecção por HIV, entre outras. “Já em alguns casos, o simples trauma em mucosa pode ser suficiente para desencadear uma ou mais úlceras aftosas”, esclarece ele.

Quais são os sintomas provocados pela afta?

As aftas podem ser episódicas ou contínuas. Elas ocorrem apenas em mucosa não ceratinizada, ou seja, em todos os locais da parte interior da boca, menos o céu da boca, gengiva e parte superior da língua. A não ser nos casos da afta causada por deficiência de ferro, vitaminas B1, B2, B6, B9 e B12, os quais podem causar as feridas também no dorso da língua. “Os sintomas associados ao quadro de estomatite aftosa geralmente são de dor aguda, que tende a aumentar com o contato direto à lesão, seja com outras estruturas da mucosa ou agentes externos como alimentos”, descreve o profissional.

Além da alimentação, a afta pode prejudicar a fala do paciente

As feridas da afta podem causar muitos incômodos, que podem variar de acordo com sua posição. “Além da alimentação que pode ser bastante prejudicada, especialmente em casos mais graves, como de estomatite aftosa maior, aquelas com mais de 1 centímetro de diâmetro, a disfonia, dificuldade na fonação, também pode estar presente”, afirma ele. Até mesmo nos casos de feridas menores, a disfonia também pode estar presente. “Tudo vai depender do grau de tolerância do paciente à dor,” explica.

Como é feito o tratamento para esse quadro?

Segundo o dentista, o tratamento pode envolver o uso de corticoides mais potentes, que podem ser utilizados na forma de bochechos. “No caso da ulceração aftosa maior ser única e estar levando à disfonia, uma outra boa possibilidade terapêutica é a injeção de corticoide dentro da lesão”, diz ele. É importante, no entanto, que um correto diagnóstico seja feito antes do tratamento, já que ela pode ser confundida com outros quadros, como até mesmo o câncer de boca. Ou seja, caso a afta seja recorrente ou demore para desaparecer, não deixe de procurar um especialista em estomatologia experiente, que poderá avaliar o caso e recomendar o tratamento mais adequado. 

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Daniel Cohen Goldemberg - PhD. Estomatologia e Patologia Bucal
Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 29267