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23.10.2018

Afta recorrente pode ser sinal de outras doenças?

Aftas são recorrentes na sua boca? Veja se não é seu corpo alertando a presença de uma outra doença
Aftas são recorrentes na sua boca? Veja se não é seu corpo alertando a presença de uma outra doença

Expert

Daniel Cohen Goldemberg

Daniel Cohen Goldemberg

CRO-RJ: 29267

PhD. Estomatologia e Patologia Bucal

As aftas, ou as estomatites aftosas, são um dos mistérios da estomatologia. Em uma grande maioria dos casos, elas se manifestam espontaneamente, sem um fator muito bem definido que as influenciam. A afta é uma ferida branca que forma uma ferida superficial na bochecha, na língua ou na garganta. Pequena e inocente à primeira vista, a afta pode causar muita dor e dificultar a fala e a ingestão de alimentos.

Normalmente, a afta some em alguns dias, com o uso adequado de pomadas. Mas há também casos de estomatite aftosa recorrente, em que ela aparece frequentemente na boca. E inclusive podendo surgir em locais diferentes. Confira as respostas do estomatologista Daniel Cohen e tire as dúvidas mais comuns desses casos. Aftas recorrentes podem ser sinais de outras doenças?

O que pode influenciar no aparecimento das aftas?

O aparecimento das aftas pode estar relacionado a reações de sensibilidade a alimentos ácidos, como o abacaxi. “No entanto, a maioria dos casos de ulceração aftosa recorrente são idiopáticos, ou seja, sem etiologia definida”, explica Daniel. Por isso que é difícil definir a causa exata da manifestações das aftas.

Ele comentou ainda que as aftas são possíveis sintomas da deficiência de algumas substâncias, como o ferro, a vitamina B12 e o ácido fólico. “Lesões clinicamente idênticas são observadas também nos quadros de doença de Crohn (doença intestinal inflamatória), doença de Behçet (inflamação nos vasos sanguíneos), na neutropenia cíclica e infecção por HIV (quadro de AIDS). Além disso, o simples trauma em mucosa pode ser suficiente para desencadear uma ou mais úlceras aftosas”, comenta.

Existe um tempo de recorrência das aftas considerado preocupante?

Não! ”Os quadros de estomatite aftosa recorrente geralmente se iniciam na segunda ou terceira décadas de vida e tendem a diminuir com a idade, mas não existe um tempo específico que seja considerado preocupante”, diz. Mas, em todos os casos, apenas um estomatologista tem a experiência necessária para avaliar se o quadro precisa ser mais analisado.

Aftas recorrentes podem significar o surgimento de uma outra doença?

Talvez. “Em quase 90% dos casos, as úlceras orais são a primeira manifestação da Doença de Behçet, afetando praticamente todos pacientes acometidos em algum momento da evolução do quadro”, destaca o especialista como exemplo. Assim como ele explica, existem diversos casos de doenças que podem também apresentar a estomatite aftosa recorrente em potencial, como pode vir a ser quadros de pacientes HIV positivo. O estomatologista recomenda também a realização de um hemograma completo, nas situações de frequência intensa, para investigar o quadro. “É importante também ressaltar que dentro desse contexto de envolvimento com uma causa sistêmica, muitos autores consideram essas lesões como aphtous-like ulcers. Úlceras semelhantes a afta”, comenta. Dessa maneira, é possível compreender a importância do diagnóstico para ser indicado o tratamento ideal.

Como é o tratamento desses casos?

Nos casos da doença de Crohn, o tratamento é feito com anti-inflamatórios e suplementos para repor a deficiência de alguns nutrientes. Para os pacientes com a doença de Behçet, enxaguantes bucais e corticoides fazem parte do tratamento. “Porém não existe tratamento que garanta evitar novas recorrências”, completa Daniel. O tratamento de neutropenia cíclica envolve o uso de corticoides. “Já os pacientes HIV positivo com quadro clínico de SIDA devem ser tratados com coquetel antirretroviral por um médico infectologista”, completa.

Quais cuidados que pacientes com afta recorrente devem seguir?

Para seguir com alguns cuidados, o profissional finaliza recomendando evitar alimentos condimentados, ácidos e procurar um dentista preferencialmente especialista em estomatologia para que possa ter o melhor tratamento para seu quadro específico.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Daniel Cohen Goldemberg - PhD. Estomatologia e Patologia Bucal

Rio de Janeiro - RJ
CRO-RJ: 29267

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