Cuidar da saúde bucal faz bem para os dentes e para todos os elementos da cavidade bucal. Existem outras partes da boca que não aparecem, mas também são beneficiadas com essa atenção, como o osso alveolar. Ele fica coberto pela gengiva e sobre a raiz dentária. Com o passar dos anos, é comum que essa massa óssea vá sofrendo um desgaste. Mas essa perda pode ser adiantada por conta das doenças bucais, causando o alongamento dos dentes e uma série de problemas na arcada dentária. Para entender melhor sobre os efeitos da perda óssea na nossa boca, convidamos o periodontista Sérgio Siqueira.

Por que a perda óssea causa o efeito 'alongamento' dos dentes?

O dente é dividido em duas partes. Primeiro vem a coroa, a parte branca que você enxerga ao abrir a boca - ela corresponde a ⅓ de todo o elemento. Depois vem a raiz, que é maior, amarelada e não está visível na cavidade bucal por estar coberta pelo osso alveolar e pelo tecido gengival. Quando a perda óssea acontece, algumas vezes, a gengiva retrai. “Ela acompanha esse processo e se afasta da coroa em direção a raiz dental, dando a impressão que o dente ficou maior e mais longo”, esclarece o especialista. Isso acontece porque além da coroa aparecer, uma parte da raiz também fica em evidência.

Os dentes podem mudar de posição na arcada?

De acordo com Sérgio, os dentes ficam bem posicionados devido a um equilíbrio de forças, que inclui dentes, lábios, língua e a quantidade de osso que suporta todos os elementos. Quando ocorre alguma perda óssea, o equilíbrio acaba e pode levar à migração dos dentes em um curto espaço de tempo, gerando várias complicações. “A mudança desordenada da posição dental causada pela reabsorção óssea pode levar a problemas maiores de ordem estética, fonética e da mastigação”, afirma. A perda óssea é uma sequela das doenças que atingem o periodonto - conjunto de tecidos que sustentam e nutrem o dente na cavidade bucal. Não é à toa que seu desgaste reflita em tantas alterações. 

Problemas bucais que a perda óssea pode causar

Com a perda do osso alveolar, o efeito cascata de muitas doenças e limitações pode acontecer na boca do paciente. Um deles é o aumento do risco de cárie. Com a exposição da raiz, as bactérias cariogênicas tomam conta da região, tudo porque essa estrutura acaba sendo mais macia que a coroa. A sensibilidade dentária é outra consequência. “Além disso, quando ocorre o afastamento da gengiva da área interdental, causará um espaço vazio por onde escapa o ar da fala, ou seja, o indivíduo passa a sibilar em alguns fonemas”, atenta.

Outros problemas afetam até o seu organismo. Se ocorre a migração de dentes ou até a perda dental, o bolo alimentar não é bem triturado. “Você pode mastigar de maneira desordenada porque as guias da função que orientam a sua mandíbula estão nos lugares errados, fazendo assim movimentos mais longos e menos eficientes”, reforça. Isso significa que você mastiga bastante, porém, tritura menos os alimentos . Além do mais, o desalinhamento significa maior retenção de alimentos entre os dentes e dificuldade para fazer a limpeza. Tudo isso aumenta o risco de cárie e perda dental. "É um ciclo que não termina, pode ser mais rápido em um indivíduo do que em outro, mas precisa de cuidado que sempre começa com a prevenção e informação", aponta o periodontista. 

O que o paciente deve fazer?

O paciente deve ficar atento aos sinais que a boca transmite, como sangramento gengival - até porque gengiva saudável não sangra -, abertura de espaço entre os dentes, retenção de alimentos onde antes não havia, mobilidade dental, sensibilidade e o alongamento dentário. "Se o paciente perceber um desses sintomas deve procurar um periodontista ou um clínico geral competente nessa área", completa.