Fenda de palatina, lábio leporino ou fissura labiopalatina. Já ouviu falar em algum deles? Apesar da diferença entre os nomes todos significam o mesmo problema: uma fissura facial. "Má-formação congênita que envolve tecidos moles e ossos maxilares (lábio superior, rebordo alveolar e palato), podendo ser unilaterais, bilaterais ou medianas", explica a ortodôntista Andréia Cotrim. Este problema afeta muitos bebês que, ainda na barriga da mãe, não tiveram um bom desenvolvimento no processo de formação da face. Conheça mais sobre este fenômeno e suas formas de tratamento.

O problema pode ser genético

Essa abertura que começa desde o lábio superior, passando pela gengiva até chegar ao céu da boca, apresenta origens genéticas diferentes. "Pais de uma criança com fissura labiopalatina podem não apresentar a fissura e tampouco um histórico familiar para esse tipo de má-formação, mas, ao gerarem uma criança com fissura de lábio e palato, constata-se que eles possuem genes para formação da mesma". Cerca de 26% dos portadores de fissuras labiopalatinas apresentam história familiar.

As futuras mamães têm o poder de evitar essa má-formação

A fissura também pode aparecer por conta de alguns fatores etiológicos durante a gravidez. "Pode-se considerar o tabagismo, a ingestão de bebidas alcoólicas, deficiências vitamínicas e fármacos anticonvulsivantes". Alguns estudos ainda mostram que o estresse dos dias atuais é um das causas predisponentes. “Quanto mais grave é a má formação da criança, maior a chance de haver outros casos na família”. Cuide-se e não deixe que isso aconteça.

Invista numa dieta com vitamina B

Pesquisas abordam que a boa alimentação durante a gravidez é um fator importante contra a fenda de palatina. Andréia indica alguns alimentos com nutrientes poderosos. "Os folatos que pertencem ao grupo da vitamina B são encontrados em vegetais de folhas verdes, feijão, vagens, fava, brócolis e espinafre, gema de ovo, germe de trigo, carnes magras, fígado, peixe e em suco de frutas cítricas como a laranja e o limão, representam um papel importante nessa proteção".

É diagnosticada antes do bebê nascer

Essa fissura é ocasionada por uma falha na formação da parte frontal do nariz e do maxilar durante o desenvolvimento embriológico, que acontece entre a quarta e oitava semana de gravidez. O problema pode ser visto pelo exame de ultrassonografia morfológica. "A identificação destas anomalias no exame pré-natal é essencial para o aconselhamento, planejamento obstétrico e futura reparação da má-formação".

A fissura pode ser tratada nos primeiros meses de vida 

A especialista assegura. "O tratamento para a reabilitação das fissuras labiopalatinas inicia-se com as cirurgias plásticas primárias - queiloplastia e palatoplastia – realizadas nos primeiros meses ou nos primeiros anos de vida". Porém, a correção completa não se resume apenas no reparo anatômico. Isso significa que uma equipe multidisciplinar é importante para o sucesso da reabilitação. "Esse tipo de malformação atinge a fala, audição, o desenvolvimento craniofacial e a oclusão dos dentes". A reabilitação destes pequenos pacientes acaba se estendendo até a maturidade, muitas vezes com a  necessidade de usar o aparelho ortodôntico.