Algo que não funciona corretamente costuma dar sinais de problema, certo? O corpo humano também não foge a essa regra, mas, quando se fala de disfunção temporomandibular, nem todas as pistas deixadas pelo organismo são interpretadas da forma correta. Para identificar a doença logo no início, o dentista Robson Caumo pode ajudar com uma boa dose de informação e algumas dicas.

Reconhecendo o problema

O especialista explica que não há consenso sobre uma causa comum à todas as disfunções desse tipo. Ainda assim, existem possíveis explicações. “Dentre as principais, podemos citar os traumas de face, problemas com restaurações ou blocos “altos” (causando os chamados contatos prematuros), stress e ansiedade, que levam à hiperatividade muscular e causam frequentes dores nos pacientes”, conta Robson.

A questão é que, por ser pouco conhecida, a DTM não costuma ser a primeira suspeita quando seus indícios aparecem. Isso também acontece porque os sintomas são bastante comuns e facilmente associados a outros problemas. O que ajuda na identificação da disfunção é ligar todos os pontos: quando o corpo fala, é melhor ficar atento.

Não ignore os avisos da DTM

Os sinais da doença não são nada silenciosos e afetam a qualidade de vida do paciente. De acordo com o dentista, se você tem dores de cabeça, na face e no couro cabeludo, além de dificuldade em mastigar e abrir a boca, apresentando estalos e ruídos como de areia próximo aos ouvidos, é importante considerar procurar um especialista para investigar a situação.

“Normalmente o paciente chega no consultório com dores na face, onde muitas vezes nem ele mesmo consegue identificar o ponto exato da dor”, relata. Segundo Robson, isso é normal porque dores musculares se apresentam como uma dor irradiada, que pode passar pelo pescoço e até pelos ombros. “Outros sintomas comuns são dores no fundo dos olhos, tonturas, zumbidos e sensação de dentes doloridos”, lembra.

Procure um especialista

Mesmo antes de ir ao consultório do dentista, é possível fazer um auto-teste em casa. Segundo a Academia Europeia de Disfunção Crânio Mandibular, algumas perguntas podem ajudar na descoberta do problema:

1) Tem dor quando abre a boca ou quando mastiga. Uma vez por semana ou mais?
2) Tem dor na face, têmporas, articulação temporomandibular ou maxilares. Uma vez por semana ou mais?
3) Já teve a mandíbula presa ou travada de forma que não abrisse completamente a sua boca?
4) Tem dor de cabeça mais de três dias por semana?

Robson alerta, no entanto, que esse teste deve ser só mais uma confirmação de que é necessário procurar um profissional, mas lembra: é preciso que ele seja de confiança. “Muitos não têm o devido preparo para identificar e diagnosticar de forma correta a presença da DTM”, explica. Por isso, busque alguém capacitado para te ajudar a se livrar de uma vez por todas desse incômodo.