Você já deve ter ouvido falar da ATM - articulação temporomandibular - que é responsável pela ligação entre o maxilar inferior (mandíbula) e o osso temporal do crânio, localizada bem à frente das nossas orelhas em cada lado da nossa cabeça. Quando essa região é atingida por algum problema, surge a DTM, que seria a disfunção desses músculos e ligamentos. O quadro, em geral, causa dor. Mas como saber quando se trata exatamente de uma DTM e não uma simples dor de cabeça, por exemplo? Convidamos o Presidente da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF), Reynaldo Leite Martins Júnior, para contar como é feito o diagnóstico do problema.

Que sintomas indicam um quadro de DTM?

De acordo com o profissional, os principais sintomas de DTM são dores nas regiões das têmporas, perto do ouvido, ou na mandíbula; essa dor é desencadeada ou piora com movimentos mandibulares, como abrir a boca ou mastigar alimentos consistentes. “Sons articulares, do tipo estalido ou crepitação (sensação de “areia” na Articulação Temporomandibular) também podem ser sintomas de DTM”, reforça. Muitas das vezes, porém, os sintomas são confundidos com uma simples dor de cabeça ou quadros de resfriado, por isso, é preciso ficar atento à frequência e intensidade com que eles surgem.

Como é feito o diagnóstico de DTM?

Se você notar que esse incômodos estão cada vez mais frequentes, é importante procurar ajuda. E o profissional mais indicado para isso é o especialista em disfunção temporomandibular e dor orofacial. Para diagnosticar o quadro de DTM é feita uma tomada de história, ou seja, uma série de perguntas sobre os sintomas do paciente. “Em seguida, é realizado um exame físico que envolve a palpação dos músculo da mastigação e da Articulação Temporomandibular, dentre outros, e exames complementares como ressonância magnética e tomografia computadorizada, em alguns determinados casos”, conta.

Como é o tratamento da disfunção temporomandibular?

Se o quadro se confirmar, Reynaldo explica que tratamento é individualizado para cada subtipo de DTM. “Geralmente consiste em mudança de hábitos, exercícios terapêuticos, aplicação de compressas frias ou quentes, procedimentos pouco invasivos, como agulhamentos e/ou infiltrações nos músculos”, diz. Em alguns casos também pode ser necessário o uso de fármacos, como antiinflamatórios, ou procedimentos mais invasivos como infiltrações dentro da articulação ou a lavagem da ATM (procedimento chamado artrocentese). E ainda, o especialista conta que o tratamento multidisciplinar é indicado em casos crônicos ou que envolvam outras comorbidades, por isso a expertise de vários profissionais pode se fazer necessária, como médicos reumatologistas, clínicos de dor, psiquiatras, psicólogos, fisioterapeutas, etc.

Afinal, DTM tem cura?

Sabemos o quão incômodo pode ser para o paciente que sofre com dores de DTM e, tão logo começa-se o tratamento, a principal dúvida é se haverá cura para o problema. Contudo, se falamos de “cura” como a ausência de sintomas, o profissional diz que é possível que em alguns casos o paciente se veja totalmente livre de dor e limitações funcionais, mas adverte. “De maneira geral, fala-se em controle, já que eventualmente os pacientes tratados podem sofrer episódios adicionais de dor e/ou limitações funcionais caso voltem a apresentar os comportamentos que levam a DTM”, finaliza.